CML reconhece impactos da RU nas “populações mais frágeis”

Ana Tavares |
CML reconhece impactos da RU nas “populações mais frágeis”

A procura excessiva de alojamento e comércio para turistas está na origem de alguns destes problemas, segundo a autarquia. Na proposta de Estratégia de Reabilitação Urbana 2020-2030 pode ler-se que «a entrada em força do capital estrangeiro no mercado imobiliário, investindo diretamente na reabilitação e na compra de ativos, bem como a exploração do arrendamento temporário induzido pelo turismo (alojamento local), afetaram em particular as populações locais mais fragilizadas, seja pela idade seja pelos baixos rendimentos», cita o DN.

Este relatório conclui que «nos bairros de maior atratividade turística» há também uma «procura excessiva de alojamento e de comércio para turistas, com redução e substituição da população local, gentrificação e perda de identidade».

Por outro lado, «nas zonas da cidade onde é maior o valor fundiário: a Baixa e os eixos das principais Avenidas - Av. da Liberdade, Av. Almirante Reis e 24 de Julho - verificou-se a crescente instalação de Unidades Hoteleiras e de apartamentos de luxo, na maioria dos casos em instalações antes ocupadas por escritórios, nomeadamente serviços bancários que migraram para outras áreas terciárias da cidade».

Nesta proposta pode também ler-se que «de acordo com as estatísticas municipais, entre 2010 e 2018 foram emitidas cerca de 12.550 licenças de ocupação da via pública (OVP), licenciada a reabilitação de aproximadamente 5.800 edifícios e emitidas cerca de 5.000 autorizações de utilização (AU). Estima-se que o investimento total no período ronde 1,8 mil milhões de euros».

Este documento vai ser discutido na reunião do executivo camarário esta semana, a 24 de abril, através de uma proposta do vereador do Urbanismo, Manuel Salgado.