Sustentabilidade: “novo paradigma” na valorização do imobiliário

Ana Tavares |
Sustentabilidade: “novo paradigma” na valorização do imobiliário

 

O responsável falava durante o Congresso LiderA’19, que teve lugar a 6 de fevereiro no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, centrado na importância da sustentabilidade na construção do edificado. «Neste congresso tivemos 30 oradores que abordaram os desafios e oportunidades que hoje em dia temos na construção sustentável, os casos de estudo e refletindo sobre a cadeia de valor do mercado, apresentando também o sistema de certificação LiderA», explica à VI, sistema que «pode ser um contributo para ter uma visão cada vez mais integrada e para procurar a sustentabilidade, que queremos que vá sendo adotada por todos».

Manuel Pinheiro acredita que há uma enorme oportunidade para o setor da construção sustentável numa altura em que, dos 5,9 milhões de alojamentos clássicos existentes em Portugal, apenas 70.000 são classe A+. «Se assumirmos o mínimo de B- atualmente exigido para a construção nova, então temos 5,1 milhões de alojamentos que não têm as condições mínimas de conforto energético. E, segundo um relatório recente da União Europeia, 20,4% das pessoas não tem dinheiro para aquecer a sua habitação».

O mercado vai ter de acompanhar a tecnologia, por isso o responsável acredita que «temos de começar a pensar um novo paradigma e no ciclo de investimento e da promoção imobiliária. Este tipo de produto (que não cumpre os mínimos de conforto e desempenho energético) vai começar a estar depreciado, particularmente com as metas “Near Zero”».

Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, concorda que «há uma oportunidade de conseguir um maior esforço de reconversão e melhoria dos edifícios em termos energéticos através do mercado», que está pujante. «Há um desafio de um ciclo de promoção que está a acontecer, não só centrado nas grandes cidades».

Num debate moderado por António Gil Machado, diretor da VI, Hugo Santos Ferreira, vice presidente executivo da APPII, destacou que, numa atura em que «Portugal é um destino de investimento», o aumento da competitividade dos países «depende do aumento da competitividade das suas cidades. As cidades do futuro têm de passar por uma estratégia global, passando sempre pela qualidade de vida das pessoas. Por isso, é o momento de assumir o desafio das cidades inteligentes, por via da reabilitação e da construção nova. Está em causa a boa gestão do espaço urbano, dos recursos e a sustentabilidade».

Considera, para isso, fundamental uma descida do IVA para 6% no caso da construção nova, «se quisermos criar um modelo de incentivo real ao investimento», ou aumentar a aplicabilidade dos fundos públicos disponíveis para este setor da energia, como «tornar o programa Casa Eficiente interessante».

António Lamas, do IST, salientou na ocasião que «o património cultural construído também deve ser apreciado como um paradigma de sustentabilidade», já que «representa o trabalho de gerações, tem mais valor se preservado, e foi construído com materiais de proximidade com tecnologias de menor consumo energético, produzindo, em geral, menos impactos ambientais», numa altura em que, muitas vezes, «a componente da sustentabilidade era inata».