O investimento imobiliário global deverá ganhar novo dinamismo nos próximos meses, depois de um primeiro trimestre condicionado pelo agravamento do contexto geopolítico. Segundo uma análise da Savills, assinada por Oliver Salmon, Director de World Research, Global Capital Markets, as operações adiadas deverão avançar no segundo trimestre de 2026, traduzindo-se num aumento de cerca de 18% das transações pendentes face ao trimestre anterior.
A consultora explica que a deterioração da situação no Médio Oriente gerou um novo período de incerteza, impulsionando os preços da energia e afetando as perspetivas para a inflação, as taxas de juro e o crescimento económico. Este cenário levou muitos investidores a adiar decisões, mas sem comprometer o interesse pelo mercado imobiliário.
Dados apontam para adiamento de operações e não quebra da procura
Para a Savills, os dados não apontam para uma quebra estrutural da procura, mas sim para um adiamento das operações. A consultora enquadra esta evolução num contexto de elevada volatilidade que tem marcado os mercados globais desde a pandemia, passando pela guerra na Ucrânia e por novas tensões geopolíticas.
Apesar da incerteza, a Savills destaca que o imobiliário continua a evidenciar características de resiliência, graças ao seu caráter tangível, à escassez dos ativos e à estabilidade dos rendimentos gerados pelas rendas. Além disso, a reduzida correlação histórica com outras classes de ativos reforça a sua atratividade nas estratégias de investimento de longo prazo.
A consultora considera que o mercado está atualmente numa fase de recalibração, com investidores e financiadores a ajustarem preços, expectativas de rentabilidade e estruturas de financiamento. Caso se confirme um período de maior estabilidade geopolítica, a Savills acredita que uma parte significativa do investimento atualmente em espera poderá regressar ao mercado já durante o segundo trimestre de 2026.