Procura supera oferta na maior parte dos segmentos no Porto

Procura supera oferta na maior parte dos segmentos no Porto
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A primeira edição do Market Focus Porto Report da Cushman & Wakefield (C&W) destaca as principais tendências que estão a mudar o mercado imobiliário comercial do Grande Porto e que deverão continuar a influenciar a sua evolução ao longo de 2026 e no início do próximo ano. Em análise, estão os segmentos de escritórios, retalho, industrial e logística, hotelaria e investimento.

Escritórios e retalho mantêm crescimento

O mercado de escritórios do Porto mantém uma trajetória de crescimento, com a absorção a aumentar 37% até agosto. Estão também em desenvolvimento mais de 90.000 m² de novos escritórios, numa das maiores vagas de oferta moderna e sustentável registadas na cidade.

A procura continua concentrada em edifícios de maior qualidade, bem localizados e com fortes credenciais de sustentabilidade.

No retalho, o número de novas aberturas de lojas aumentou 50% no primeiro semestre, com a escassez de espaços nas principais ruas comerciais a pressionar a procura por localizações prime e as rendas.

Logística e hotelaria mantêm procura

O Grande Porto continua a afirmar-se como um dos principais mercados logísticos do país, impulsionado pela localização estratégica e pela forte base industrial. A escassez de espaços modernos e de qualidade permanece, contudo, como um dos principais desafios, enquanto novas localizações como Valongo, Trofa, Santo Tirso e Santa Maria da Feira ganham relevância.

Também a hotelaria continua a impulsionar a atividade económica e imobiliária, beneficiando do crescimento do turismo. Apesar da entrada de nova oferta, o mercado mantém níveis de desempenho próximos dos máximos históricos, com uma presença crescente de unidades de quatro e cinco estrelas.

Investimento atinge valor recorde

O investimento imobiliário comercial no Grande Porto atingiu 451 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, mais 8% face ao período homólogo e o valor mais elevado dos últimos dez anos.

O retalho e a hotelaria concentraram a maior parte do capital investido, num contexto de elevada procura e escassez de ativos disponíveis.

Para os próximos 6 a 12 meses, está prevista a entrada de uma nova geração de edifícios de escritórios. Com mais de 90.000 m² em construção, o Porto prepara-se para reforçar a oferta de espaços sustentáveis e de elevada qualidade.

Mário Jacob, Head of Porto da C&W, afirmou: “A forte procura por parte de empresas, retalhistas, operadores logísticos, hoteleiros e investidores continua a superar a oferta disponível em grande parte dos segmentos imobiliários da região. Esta escassez de produto de qualidade é, hoje, um dos principais desafios do mercado, mas também um reflexo da solidez dos seus fundamentos”.

Por sua vez, Ana Gomes, Partner e Head of Research & Insight da C&W, referiu: “O Porto continua a afirmar-se como um dos mercados imobiliários mais dinâmicos e atrativos de Portugal, já que apresenta uma economia diversificada, forte atividade empresarial e crescente reconhecimento internacional. Sustentado pelo crescimento económico, pelo aumento do rendimento das famílias e pela redução do desemprego, o mercado mantém uma dinâmica robusta nos segmentos de escritórios, retalho, logística, hotelaria e investimento, evidenciando a sua resiliência, maturidade e capacidade de atrair empresas, visitantes e capital”.