Oferta limitada e rendas altas marcam mercado em 2026

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Ao longo do ano, a atividade de take-up atingiu 492.049 m², representando uma quebra de 36% face a 2024. No segmento logístico, foram transacionados cerca de 323.000 m² (-23% em termos homólogos). Destaca-se ainda o peso crescente dos pré-arrendamentos, que corresponderam a 26% da área ocupada.

A procura mantém-se sólida, impulsionada pelo crescimento do comércio eletrónico, pela reconfiguração das cadeias de abastecimento e por uma maior exigência em termos de eficiência e sustentabilidade dos ativos. Consequentemente, os espaços de maior qualidade continuam a registar forte pressão, sobretudo nas áreas da Grande Lisboa e do Grande Porto.

Alexandra Portugal Gomes, Head of Research da Savills Portugal afirma “Num mercado cada vez mais competitivo e orientado por dados, a otimização de operações logísticas está a tornar-se um diferenciador estratégico. O setor logístico português não está apenas a registar volumes positivos de absorção, mas sim a reposicionar-se de forma consistente para responder a novos paradigmas de consumo, distribuição e investimento”.

Grande Lisboa: escassez de oferta

Na Grande Lisboa, o stock logístico atingiu cerca de 3,5 milhões de m², com uma taxa de disponibilidade de apenas 2,76%. O take-up totalizou 269.611 m², menos 27% do que no ano anterior, sendo dominado pelo segmento logístico.

Apesar da entrada de nova oferta — incluindo a expansão do LogPlace Azambuja, a Fase II da Plataforma Logística Lisboa Norte e o VGP Montijo — o mercado ainda não satisfaz a procura. A escassez de produto moderno mantém-se crítica, canalizando a procura para ativos com melhores condições técnicas e localização privilegiada.

Grande Porto: logística reforço da atividade logística

No Grande Porto, o mercado fechou o ano com um stock de 1,3 milhões de m² e uma taxa de disponibilidade de 3,71%. O take-up situou-se nos 157.000 m² (-26% face a 2024), mas com um reforço claro do peso do segmento logístico, que passou a concentrar a maioria das operações.

A procura está fortemente direcionada para os principais corredores logísticos da região, nomeadamente Porto de Leixões–Aeroporto, Gaia–Espinho e Santo Tirso–Trofa. Em paralelo, o pipeline previsto até 2029 — superior a 175.000 m² — deverá contribuir para melhorar a capacidade de resposta do mercad

Investimento: logística ganha relevância

O investimento imobiliário em Portugal totalizou 2,7 mil milhões de euros em 2025, registando um crescimento de 11% face ao ano anterior e superando em 13% a média dos últimos três anos. O último trimestre concentrou grande parte da atividade, com 902 milhões de euros transacionados.

O segmento industrial e logístico representou cerca de 310 milhões de euros, equivalente a 12% do total investido, reforçando o seu peso relativo no mercado. Este desempenho foi sustentado pela procura por ativos com contratos estáveis e localizações consolidadas. A yield prime manteve-se estável em torno dos 5,50%.

Tiago Cortez, Industrial, Logistics & Data Centres Associate Director da Savills Portugal, conclui: “Em 2025, tivemos um excelente ano de investimento em ativos de indústria e logística, com um crescimento de cerca de 114% relativamente ao ano anterior. E os fundamentos mantêm-se sólidos: o nearshoring e o setor da defesa já estão a gerar nova procura de ocupação, enquanto cresce o interesse de investidores institucionais pela logística em Portugal em todo o tipo de produto, desde ativos core a value-add, antecipando-se igualmente um ano muito forte ao nível de development.”

Perspetivas para 2026

As perspetivas para 2026 são positivas, especialmente no segmento de desenvolvimento. Na Grande Lisboa, o pipeline previsto para os próximos dois anos ultrapassa ligeiramente os 360.000 m², distribuídos por cerca de 14 projetos, dos quais 34% já se encontram pré-arrendados. Ainda assim, este volume fica aquém da procura acumulada, estimada em cerca de 1 milhão de m².

Neste contexto, 2026 poderá afirmar-se como um dos anos mais fortes de sempre em investimento no desenvolvimento logístico em Portugal, contribuindo para mitigar o atual desequilíbrio entre oferta e procura.