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Maior parte do AL não tenciona passar para o arrendamento

Ana Tavares |
Maior parte do AL não tenciona passar para o arrendamento

É o que revela um inquérito realizado pelo Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território do ISCTE (Dinâmia’Cet), feito entre julho e outubro a 868 proprietários e gestores de AL com a categoria de apartamento ou moradia um pouco por todo o país. O objetivo foi avaliar o impacto da pandemia na sua atividade.

O estudo conclui que são poucos os proprietários que vão transitar para o arrendamento de longa duração. A grande maioria dos titulares de AL vai manter a sua atividade, acreditando que a atividade turística será normalizada até ao final de 2021, e confiando que continua a ser melhor alternativa à habitação ou aos programas públicos.

Sandra Marques Pereira, socióloga coordenadora deste estudo, afirmou durante a sua apresentação esta semana que «apesar de todas as perdas, apesar de o inquérito ter sido feito num momento sem qualquer indício de uma vacina à vista, as expectativas dos inquiridos revelam um grande otimismo», cita o Público.

Segundo a responsável, Lisboa e Porto foram as zonas do país que sofreram primeiro e mais severamente as consequências da quebra da procura turística. É nestas duas cidades que mais pessoas se dedicam exclusivamente ao negócio. 50% dos inquiridos no estudo tem apenas uma unidade de AL, e 27% tem duas ou três. A idade média do proprietário é de 53 anos, e a atividade é exercida em nome individual para 69% dos casos.

Programas públicos não são atrativos, ao contrário da média duração

Mais de 70% dos inquiridos afirmou manter o uso de AL até ao final de 2020. Apenas 15% dos inquiridos pondera colocar os seus imóveis no mercado de arrendamento de longa duração, e menos de 5% admite aderir aos programas públicos de arrendamento em Lisboa e Porto, como o Renda Segura ou Porto com Sentido.

Em alternativa, querem permanecer no AL, entrar no mercado de média duração (80% em Lisboa e 40% no Algarve) ou usar os imóveis para si ou para a família.

No debate que se seguiu à apresentação do estudo, Eduardo Miranda, Presidente da ALEP, admitiu que a média duração seja uma aposta de futuro, e um «ajuste» a esta hipótese: «O mercado de três, seis e nove meses não tinha oferta e é um mercado que pode ser trabalhado».

Os investigadores procuraram perceber porque é que o mercado de arrendamento é considerado tão pouco atrativo, e concluíram que «não eram apenas as questões financeiras, e também não era apenas a questão da falta de confiança no Estado», mas também a perda de licença de AL, que inviabiliza o regresso ao negócio no futuro, ou o facto de os imóveis serem desadequados ao arrendamento de longa duração, enumera Sandra Marques Pereira.

Participando no mesmo debate, Luís Mendes, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, considerou «desmesurado» o otimismo dos proprietários em relação ao mercado turístico, mas defende que «o setor não acredita no mercado de arrendamento. Aliás, há pouca gente que acredite. Tem uma reduzida credibilidade». E considera que «não cabe ao setor do AL resolver o problema da habitação».