Investimento imobiliário comercial pode atingir 3 mil milhões em 2026

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Fotografia: Pexels

A edição Year-end 2025–2026 do WMarket Review, uma publicação da WORX Real Estate Consultant que analisa a evolução do imobiliário comercial em Portugal, aponta para um cenário de maior confiança em 2026, após um ano marcado pela resiliência do mercado. Face a isto, o estudo confirma a capacidade de adaptação do mercado imobiliário comercial português “num contexto internacional ainda marcado pela incerteza económica e geopolítica. “

Em 2025, Portugal atraiu mais de 2.750 milhões de euros de investimento em imobiliário comercial.

Este desempenho foi impulsionado pela estabilização das taxas de juro, pela estabilidade política nacional e o posicionamento de Portugal como mercado de refúgio no contexto europeu: “estes fatores permitiram, no início de 2025, uma compressão de 25 pontos base nas yields prime, com exceção dos centros comerciais prime.”

Pedro Rutkowski, CEO da WORX, afirma que, em 2025, o mercado português se mostrou dos mais resilientes e com melhor performance a nível internacional, confirmando o regresso consistente do capital apesar das incertezas globais. O responsável acrescentou que o investimento em imobiliário comercial poderá regressar à casa dos 3 mil milhões de euros em 2026, caso se mantenham as condições de estabilidade e confiança”.

Escritórios

A procura por escritórios na Grande Lisboa atingiu, no último ano, um volume global de 204.200 m² de absorção, registando uma quebra de 8% face a 2024. Ainda assim, este desempenho posiciona o ano como o quinto melhor desde que há registo.

A procura mantém-se ativa, embora o atual contexto macroeconómico esteja a prolongar os ciclos de decisão e a tornar os critérios de seleção dos ativos mais exigentes, — tendência que deverá manter-se em 2026.

A renda prime na Grande Lisboa fixou-se em 30,0 €/m²/mês, mantendo uma trajetória de valorização sustentada, A WORX antecipa que neste ano de 2026 supere os 35,0 €/m²/mês.

Retalho

Portugal registou, em 2025, o maior aumento de vendas em retalho da Europa, graças à recuperação do consumo doméstico, aos níveis de poupança ainda elevados e ao contributo contínuo do turismo. O índice médio de vendas atingiu 115,3 pontos, refletindo um crescimento homólogo de 5%.

Este enquadramento tem impulsionado a entrada de novas insígnias e formatos emergentes no mercado físico e permitido a dinamização do setor em todos os seus segmentos. Como consequência direta, as rendas prime ultrapassaram já os níveis pré-pandemia:

  • 145,0 €/m²/mês no comércio de rua em Lisboa
  • 115,0 €/m²/mês nos centros comerciais
  • 13,0 €/m²/mês nos retail parks

A valorização das localizações prime continua a ser suportada pela escassez de espaços de qualidade e pela resiliência da procura, que fortalecem o posicionamento do retalho como um dos segmentos mais robustos do mercado.

Industrial e Logística

O setor industrial e logístico apresentou, no ano transato, uma desaceleração de 39% na procura, após um ano particularmente forte em 2024, com 485.000 m² absorvidos. Esta evolução evidência um ajustamento natural num contexto de maior incerteza económica e política. As rendas prime mantiveram uma tendência positiva.

Para o ano de 2026, o WMarket antecipa a retoma da procura para níveis médios dos últimos anos, impulsionada principalmente por processos de nearshoring, reshoring e investimentos associados ao setor da defesa.

Hotelaria

Em 2025, as dormidas em alojamentos turísticos cresceram 2%, totalizando 82,1 milhões, com especial destaque para o aumento de 5% nas dormidas de residentes. Em 2025, as receitas cresceram 7% e a performance operacional aumentou 4%, traduzindo-se em 7.150 milhões de euros em proveitos e num RevPAR médio de 72,4 euros.

Os indicadores operacionais continuam a refletir uma trajetória positiva, tanto pela procura externa como pelo reposicionamento do produto nacional.

Residencial

Os mercados residenciais das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto mantiveram um desempenho positivo:

  • Lisboa: 9.310 apartamentos vendidos em 2025, com valor médio de 5.200 €/m², mais 10% face a 2024.
  • Porto: 5.460 apartamentos vendidos, com valor médio de 3.810 €/m², refletindo um crescimento homólogo de 13%.

Em 2026, o mercado continuará a beneficiar de níveis de procura sustentados, com impacto direto na evolução positiva dos preços. Adicionalmente, as medidas anunciadas no setor da habitação poderão criar condições favoráveis ao desenvolvimento do mercado de arrendamento institucional de larga escala.

Macro tendências no imobiliário

O WMarket Review identifica um conjunto de macro tendências estruturais com impacto transversal no setor. Entre estas, destaca-se a crescente integração da tecnologia e da inteligência artificial, que está a acelerar a digitalização de edifícios e cidades, ao mesmo tempo que a experiência humana assume um papel central na criação de valor.

A hibridização de usos, a versatilidade e a flexibilidade dos espaços — capazes de responder em tempo real às necessidades das pessoas — afirmam-se como vetores-chave da transformação urbana.