Imobiliário não deverá sofrer mudanças “profundas” no longo prazo

Ana Tavares |
Imobiliário não deverá sofrer mudanças “profundas” no longo prazo

Esta é a convicção de Pedro Coelho, CEO da Square Asset Management que sublinha que mesmo agora a «nossa abordagem de investimento não mudou muito». O responsável pela gestora portuguesa de fundos de investimento imobiliário assume que continua a «apostar em todos os segmentos exceto residencial, tendo em vista a obtenção de um cash-flow de receitas muito sustentável». E, neste sentido, o diretivo assume que continua a trabalhar as «relações com os principais targets que são os inquilinos core, arrendamentos de longo prazo, e, claro, em apostar em melhores yields e em melhores preços por metro quadrado». 

Sobre a sua atuação no mercado, o responsável assume que a Square AM está a levar a cabo tanto aquisições como venda de ativos. «Estamos a vender unidades que foram fechadas em negócios anteriores. E, no lado de compradores, nós temos negócios já acordados antes e, portanto, estamos a concluí-los», revela na rubrica Iberian Property Investment Talks. Recorde-se que uma das suas operações mais recentes foi concluída no início de março e diz respeito à aquisição do Fórum Viseu por 40 milhões de euros.

Olhando para o curto prazo, Pedro Coelho assume que por um lado há ativos não são tão atrativos, mas que se podem revelar «boas oportunidades para comprar se os fundamentais forem bons», como é o caso dos health clubs e dos ativos associados ao turismo.  E, por outro, há aqueles que permanecem resilientes à crise e que são, segundo o diretivo, «agora mais atrativos». Neste último grupo estão as unidades logísticas, os escritórios e «provavelmente alguns espaços de retalho que não tenham sofrido tanto com a crise», enumera, reiterando que «no longo prazo a estratégia não altera muito».

 

Avaliação de ativos continua incerta

As variáveis que entram na equação da avaliação dos ativos continuam a ter um futuro incerto. Pedro Coelho assume que esta é «uma questão difícil», sobretudo porque «não há evidência de transações».

Por outro lado, pesa também a incerteza relativa às yields dos imóveis. Para o CEO da Square AM esta é uma questão do tipo: «copo meio cheio e meio vazio». Se por um lado a «permanência por um maior período de REITS com um baixo nível de atuação poderá descer as yields porque o spread deverá manter-se», por outro «nos momentos de risco e com uma maior liquidez, as yields poderão subir um pouco».

«Mas se olharmos para o médio prazo, o mais provável que aconteça é que, em algumas circunstâncias, as vacancy rates vão aumentar outra vez», acrescenta o responsável, assumindo que haverá situações em que «os inquilinos vão à falência». Isto poderá significar «uma descida dos preços dos imóveis que ficam desocupados. É isto que temos assistido nas crises anteriores», conclui.