Consolidando a recuperação da atividade, o investimento imobiliário atingiu os 2.700 milhões de euros em Portugal em 2025. Apurado pela Savills, este resultado não só traduz um aumento de 11% face a 2024, como coloca o nível de atividade 13% acima da média dos últimos três anos, “consolidando uma trajetória de recuperação sustentada”, refere em comunicado.
Sinalizando a concretização de negócios de maior dimensão e a maior concentração de capital por ativo, o ticket médio por operação aumentou 5% em 2025, para 32 milhões de euros. De facto, cerca de 22% do investimento transacionado resultou da venda de portfólios, com transações de maior escala a marcar o ano.
Nota de destaque também para o facto de o capital doméstico ter reforçado o seu peso no mercado português, assumindo 35% do volume investido. Entre os internacionais, os espanhóis lideraram com 23% do volume, seguidos pelos canadianos, franceses e britânicos que, em conjunto, representaram cerca de metade do capital estrangeiro investido em Portugal.
Olhando às preferências dos investidores, Lisboa e Porto foram os mercados mais dinâmicos, concentrando 65% da atividade anual, sendo ainda de evidenciar o maior número de negócios em segmentos alternativos, como ginásios, escolas e data centres, que começam a ganhar maior visibilidade no mercado nacional.
Em linha com o observado em anos anteriores, a atividade intensificou-se no 4º trimestre, com um volume transacionado de 902 milhões de euros, ou seja, cerca 33% do total anual.
“O mercado imobiliário português entra em 2026 numa posição particularmente favorável, beneficiando da estabilização das taxas de juro, de uma inflação mais controlada e da retoma gradual do crescimento europeu. Este enquadramento macroeconómico cria condições para desbloquear decisões de investimento que estiveram em pausa e reforça o apetite por ativos core em localizações prime”, comenta Pedro Figueiras, Head of Capital Markets da Savills. Assim, antevê:
“Depois de um 2025 marcado pela recuperação dos volumes e pelo regresso de transações de grande escala, 2026 apresenta-se como um ano especialmente promissor para todos os setores do imobiliário comercial”.
Apoiado no dinamismo de 2025 e numa trajetória de crescimento consistente em todos os segmentos de mercado, a Savills prevê um cenário favorável para 2026, projetando a continuidade dos níveis de investimento e a manutenção da liquidez num contexto em que Portugal se destaca pela estabilidade macroeconómica.
Shoppings impulsionam retalho, mas escritórios e logística foram os que mais cresceram
Quanto aos alvos do investimento em 2025, o retalho liderou com 32% do volume transacionado, num resultado fortemente impulsionado pelo formato dos centros comerciais, que registaram um crescimento homólogo de 26%. Ainda assim, foram os escritórios e logística as classes de ativos que mais cresceram face a 2024, com os volumes captados a disparar 92% e 114%, respetivamente. Já os hotéis mantiveram um nível de investimento estável ao longo do ano passado, sublinha a Savills.
A venda de 50% do NorteShopping, em Matosinhos, a aquisição das residências de estudantes Livensa Living, integradas numa operação ibérica, e a venda do hotel Cascais Miragem destacaram-se como as maiores operações de 2025.
Nas yields, a tendência dominante foi de estabilização, embora com duas exceções: nos escritórios verificou-se uma subida de 25 pontos base, para 5,00%, ao passo que no comércio de rua houve uma compressão de -25 pontos base, para 4,25%.
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