Investimento: Melhor ano de sempre (de novo)

Ana Tavares |
Investimento: Melhor ano de sempre (de novo)

Principalmente tendo em conta que 2018 já tinha conquistado essa marca (e num volume bastante forte, acima dos €3.000 milhões); com a realização de grandes negócios (não irrepetíveis, mas certamente difíceis de repetir a curto-prazo).

No decurso de 2019 o mercado foi, contudo, acelerando o ritmo de investimento e registando um crescente dinamismo, beneficiando não só da elevada liquidez que prevalece a nível internacional, como da consolidação de Portugal enquanto destino de investimento quer no contexto Europeu quer no contexto Global. Tudo isto sustentado por bons fundamentais a nível interno, com bases sólidas no desempenho ocupacional dos diversos segmentos. Por um lado, os segmentos “tradicionais”: 1) os escritórios estão com muita procura por parte dos investidores core e, com o crescimento da ocupação que se tem feito sentir, há novo produto a surgir no mercado e com indicadores muito interessantes para os investidores; 2) nos centros comerciais, não obstante a crescente importância do e-commerce, ainda vamos assistir a um conjunto significativo de transações até final do ano, sendo estes ativos alvo de performance muito positiva; 3) nos hotéis, perspetiva-se o melhor ano de sempre a nível de investimento em hotéis em exploração, suportado por um mercado turístico consistente e robusto; 4) e, por último, o segmento de industrial e logística, onde também há muita procura para compra de ativos, mas onde o produto alinhado com os requisitos dos investidores é escasso.

Por outro lado, temos os segmentos alternativos, bem como (outras) classes de ativos que anteriormente não estavam nas prioridades dos investidores, mas que começam a despertar as suas atenções. No primeiro campo, as residências de estudantes e as residências seniores, novos tipos de imóveis a desenvolverem-se em Portugal, com cada vez mais procura e retornos muito interessantes, vão começar a gerar cada vez mais negócios de investimento. Mas o grande destaque vai para o facto de os ativos residenciais começarem a ser vistos como produtos de investimento por parte dos investidores institucionais. Este é, aliás, um passo muito importante para “alargar” o acesso à habitação, visto ser uma via importante (e com escala) de injetar no mercado uma oferta residencial segmentada para os diversos públicos, dando resposta àquele que é um dos maiores problemas do país neste momento (a falta de oferta residencial para a classe média).

Neste campo, as novas SIGIs - como um instrumento reconhecido dos investidores internacionais – poderá ser um importante propulsor para o investimento em imobiliário residencial numa ótica institucional e de rendimento, trazendo para o país novos perfis de investidores focados neste segmento e novas origens de capital. Colocar a habitação na agenda do investimento institucional será um grande passo no mercado nacional, o qual, por razões históricas – nomeadamente, e sobretudo, devido a anos de congelamento da lei do arrendamento -, sempre se direcionou mais para o imobiliário de uso comercial, como os escritórios, os shoppings ou a logística. Do lado da oferta de produto residencial com potencial para atrair os investidores, as condições parecem estar a alinhar-se, já que se espera um enorme desenvolvimento da promoção de terrenos (especialmente para este uso) nos próximos anos. Um mercado em expansão, com diversificação de drivers, perfis de investimento, origens de investidores e alvos de interesse será, em suma, a grande marca do investimento este ano.