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Investimento imobiliário desce 30% para os €2.000M

Ana Tavares |
Investimento imobiliário desce 30% para os €2.000M

Em 2021, o volume de investimento imobiliário comercial em Portugal terá ascendido a cerca de 2.000 milhões de euros, menos 30% que em 2020, contabiliza a Cushman & Wakefield, já com base nos negócios fechados nos últimos dias do ano.

Na sua apresentação de resultados de 2021, esta segunda-feira, a consultora divulgou que 70% do capital investido tem origem estrangeira, e o investimento português soma os 550 milhões de euros. Paulo Sarmento, Partner e Diretor de Capital Markets, explica que «temos muito poucos ativos de logística ou residencial de rendimento. Se tivéssemos mais oferta, teríamos um maior volume de investimento global, e também maior peso do investimento estrangeiro».

Segundo a C&W, 39% do investimento feito diz respeito ao mercado de escritórios, e 34% aos segmentos alternativos. A hotelaria concentra 15%, e o retalho não teve representação significativa. Aliás, «há praticamente dois anos que não se transacionam centros comerciais», destaca Paulo Sarmento.

Entre os principais negócios do ano, estão a venda de parte da Quinta da Fonte por 130 milhões de euros, a venda de um portfólio de ativos residenciais (PRS), dos hotéis Tivoli Marina Vilamoura e Tivoli Carvoeiro, por 148 milhões de euros ou, mais recentemente, do portfólio do fundo Saudinveste, por 213 milhões de euros. Paulo Sarmento destaca que este último foi fechado com uma «yield recorde», o que mostra que «se tivéssemos mais ativos deste género, o valor de transações de healthcare seria muito superior».

No que diz respeito ao investimento de promoção e reabilitação urbana, foram investidos 465 milhões de euros em 2021, menos 10% que no ano anterior. Entre as operações de maior dimensão, destaque para a aquisição da Norfin do Projeto Vilamoura, num valor de até 125 milhões de euros, ou a venda pelo Millennium bcp do projeto Madeira Palácio ao Grupo Pestana, num total de 45 milhões de euros.

Em 2021, as yields prime registaram uma quebra de 10%, situando-se «longe do fulgor de outros tempos.

Pipeline de negócios já ultrapassa o concretizado em 2021

Eric van Leuven, diretor geral da Cushman & Wakefield em Portugal, recorda que, em 2021, a economia «quase parou com o segundo confinamento, ninguém tomava decisões. Os primeiros 4 ou 5 meses do ano foram muito fracos em termos de atividade imobiliária, apesar de os investidores nunca terem deixado de estar interessados, mas tiveram dificuldades em deslocar-se». No 1º semestre, foram investidos apenas cerca de 570 milhões de euros.

Depois, o verão teve um novo abrandamento, sobretudo na área do investimento. Um terço do ano foi mais ou menos perdido, apesar de uma boa retoma, que já não foi a tempo de quebrar recordes como temos estado habituados nos últimos anos».

O responsável considera que «2022 tem tudo para ser um ano absolutamente fantástico». E revela que «já temos mais pipeline de investimento institucional do que o concretizado em todo o ano de 2021, há muita expetativa». Assim, a consultora não estranharia se o volume de investimento batesse o valor de 2018, de 3.300 milhões de euros.

Isto porque «a pandemia poderá estar numa fase de menor risco, temos vontade de andar para a frente. Será um ano com mais atividade, que se vai refletir na economia em geral, com perspetivas de crescimento de mais de 6%. Tudo isto augura boas coisas para o ano que agora inicia», conclui.