Ausência de novas promoções vai manter logística pouco dinâmica

Ana Tavares |
Ausência de novas promoções vai manter logística pouco dinâmica

Em pipeline para este ano está apenas o arranque de uma nova promoção da Merlin Properties de cerca de 40.000 m² de oferta especulativa na Plataforma Logística Lisboa Norte, em Castanheira do Ribatejo. Não estão previstas outras novas promoções, o que «acentua a pouca atividade do setor comparativamente a outros segmentos imobiliários».

A observação é da Savills, num relatório recente, onde mostra que o volume de negócios observado neste setor no ano passado foi de 180.300 m², menos 17% face ao período homólogo de 2017. «O abrandamento das exportações e da procura interna é um dos fatores contributivos para este decréscimo, aliado também à falta de oferta nova e a um grau de incerteza relativamente aos desenvolvimentos políticos e económicos no contexto externo», explica Alexandra Gomes, Senior Analyst do Departamento de Research da Savills Portugal. «Sem novas aberturas e sem novos projetos no horizonte, o setor imobiliário industrial nacional enfrenta diversos desafios, numa época em que o mercado exige capacidade de resposta rápida», alerta.

No entanto, a aposta na melhoria da experiência de compra e entrega, o crescimento gradual do e-commerce e a consequente necessidade de modernização das cadeias de distribuição, a par do aumento da capacidade operacional, têm conduzido muitos operadores à procura de novas instalações ou a melhorar as instalações atuais por forma a ajustá-las às novas exigências operacionais e de stock. A expansão do e-commerce como novo canal de vendas assume-se agora como oportunidade para o incentivo à promoção no setor industrial & logístico.

Por isso, neste ano «o mercado dá sinais de um sentimento de confiança positivo por parte dos operadores, incentivando a retoma da promoção e investimento neste segmento imobiliário. São vários os operadores que iniciaram em 2019 a construção de novos entrepostos e novos centros logísticos, reafirmando a necessidade de o mercado receber novos projetos». É o caso da Lidl Portugal, que arrancou a construção de um novo entreposto de 48.000 m² em Santo Tirso, ou a Rangel, o Marb SA ou a Dachser, que abriram novos centros de operações de logística.

Num cenário de escassez de oferta e 100% assente em ativos usados, é de esperar este ano uma subida das rendas e a renegociação de vários contratos.