Construção pede maior industrialização do setor

Ana Tavares |
Construção pede maior industrialização do setor

O edifício Victoria acolheu a 21 de novembro este evento sob o mote “O futuro da promoção imobiliária”. No painel dedicado à construção, António Carlos Rodrigues, CEO da Casais, afirmou que «temos de nos convencer de que somos uma indústria, e afastámo-nos muito deste conceito nos últimos anos», acredita. «Se queremos mesmo industrializar, temos de ir à incorporação de componentes. Essa é a única forma de sermos produtivos em fase de obra». Além disso, considera essencial «trabalhar com todos os parceiros».

A empresa em particular consegue produzir internamente «tudo o que um edifício tem». Exemplo disso é também o JPS Group, que tem uma equipa dedicada à parte de produção para a otimização de processos. «Temos de ter o domínio completo do sistema» numa logica de verticalização, considera João Sousa, CEO do grupo.

Por outro lado, Pedro Gonçalves, Head of Real Estate da EIFAGE, deu o testemunho da recente compra de três empresas das áreas da construção e sustentabilidade. Uma delas faz pré-fabricados de lavabos e cozinhas, por exemplo. Luís Gamboa, COO da VIC Properties, afirma que a empresa já trabalha «sempre em ambiente BIM. Temos uniformizações que permitem ter as coisas em fabrico, para que o processo seja o mais industrializado possível. Mas há ainda alguma cultura de que o que é pré-fabricado pode não ser o melhor», comenta.

Paulo Barradas, CEO da Norfin, considera que «em Portugal tem de haver mais espírito de associação, temos de nos associar mais a nível de cadeia de valor para entregar uma solução eficiente, mesmo que não seja sempre a mais barata», o que aumenta «a probabilidade de não haver acertos e correções».

A escala parece ser um dos principais desafios, e atualmente o custo da construção convencional continua a compensar o industrial. «Não temos escala para termos preços competitivos em determinadas áreas. Cabe-nos a nós encontrar soluções que consigam colocar o ramo da construção como máquina de produção», diz João Sousa.