Zona de Lisboa precisa de “articular os seus produtos turísticos”

Ana Tavares |
Zona de Lisboa precisa de “articular os seus produtos turísticos”

 

As palavras foram ditas por Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, durante um debate no âmbito do 30º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, organizado pela AHP em Lisboa. Para o autarca, «estamos numa era nova, em que precisamos de articular produtos turísticos, temos muito a fazer nesta área, e é vital para Lisboa que os outros centros também tenham sucesso». Um exemplo imediato pode ser a expansão da ocupação hoteleira aos concelhos vizinhos, que já acontece com determinados eventos, por exemplo.

Medina acredita que a cooperação com outros destinos vai mesmo além da Área Metropolitana, dando o exemplo de turistas que chegam à Europa, e que não vão visitar apenas Lisboa, para quem «400 quilómetros não são nada. Porque não visitarem também Fátima? O Porto?», exemplifica. «O setor privado tem de ser o potenciador e dinamizador desta lógica. Todos os autarcas da AML estão a trabalhar no sentido de se enquadrarem numa programação mais alargada», garante.

Vítor Costa, presidente da ERT da Região de Lisboa e Diretor Geral da Associação de Turismo de Lisboa, concorda que «a área turística tem de se expandir na Área Metropolitana de Lisboa», destacando a importância do investimento privado neste aspeto, pois «sem diversificação de atividades, não há turismo». Para Inês de Medeiros, presidente da Câmara Municipal de Almada, «temos de começar a falar de uma economia de rio e, em Almada, estabelecer zonas de desenvolvimento turístico além da Costa da Caparica, por exemplo».

Para a autarca, Amada «tem muito património natural único que deve ser valorizado e não visto como um entrave. Temos capacidade para ter um grande eco resort, por exemplo. Temos de pensar num projeto turístico que respeite as caraterísticas do concelho», referiu na ocasião, mencionando alguns projetos que estão em andamento, como a Cidade da água ou a reabilitação da zona do Ginjal e da frente ribeirinha.

Carlos Carreiras, autarca de Cascais, considera-se otimista, já que «estamos numa área com várias políticas corretas que reconhecem o impacto do turismo». Uma das questões que considera essenciais é o reforço das forças de segurança, e um contributo da taxa turística para esta questão (Cascais encaminha «não menos» de 1 milhão de euros provenientes da taxa turística todos os anos para a segurança), além do desafio da informação: «as câmaras têm de reconhecer informação importante, e em Cascais queremos criar um sistema próprio para o efeito», nomeadamente para detetar atempadamente as necessidades da cidade consequência da atividade turística.  

 

Cidade tem de ser adaptada “em todas as suas dimensões”

As cidades devem adaptar-se ao turismo «como a qualquer outra circunstância», considera o edil de Cascais. Lisboa concorda com a necessidade de adaptação, mas a velocidade da mudança é o principal desafio.

Fernando Medina relembra que «precisamos de mais turistas, mas para isso temos de ter resposta de infraestruturas. Temos de cuidar e adaptar a cidade em todas as suas dimensões, num trabalho sistemático de adaptação», numa altura em que «este processo está a ser muito rápido e muito novo».

O autarca exemplifica que a produção de resíduos na cidade registou um aumento acumulado de 40% nos últimos 7 anos, a par das limitações e das regras da contratação pública. «Os transportes são também um grande desafio. Quanto mais sucesso tivermos no turismo, e sempre que a economia acelera, mais desafios vamos ter na mobilidade. Temos estas questões bem diagnosticadas, e sabemos que temos de orientar tudo ao mesmo tempo», conclui.