Residencial deverá “iniciar caminho de estabilização dos preços” em 2019

Ana Tavares |
Residencial deverá “iniciar caminho de estabilização dos preços” em 2019

Esta é uma das principais perspetivas da consultora Savills para este mercado neste ano, que será «mais direcionado para o segmento de imóveis residenciais usados. A promoção de projetos direcionados para o segmento prime manter-se-á em alta, não sendo ainda expectável um ajustamento de preços visível e que produza efeitos na dinâmica do mercado residencial», comenta Alexandra Gomes, Senior Analyst Research Department da Savills Portugal.

Segundo a consultora, que se baseia em dados do INE, no ano passado foram vendidas 178.691 casas, 85,2% das quais fogos usados. As transações contabilizaram os 24.100 milhões de euros, mais 24,4% que no ano anterior. «A reabilitação urbana exerce um peso bastante significativo, bem como a compra para colocação no mercado de arrendamento turístico, que têm sido sem dúvida, os dois fatores mais dinamizadores do mercado residencial», comenta a responsável.

No entanto, continua a verificar-se uma desadequação da oferta ao perfil da procura portuguesa: «a escassez de construção nova pensada de raiz para as famílias portuguesas de rendimento médio é um dos principais desafios que o mercado de promoção residencial enfrenta atualmente».

A nova oferta vai chegar a Lisboa, mas peca por insuficiente. «No total dos projetos previstos, são mais de 2.000 novos fogos de habitação, ainda assim insuficientes para colmatar a procura existente, e na sua grande maioria dirigidos a uma gama média-alta e alta», refere Alexandra Gomes.

A par disso, dão-se os primeiros passos em Portugal nas novas formas de habitação, como o coliving, e começa a surgir o interesse dos investidores internacionais neste setor. O mercado de arrendamento deverá continuar a «reavivar», enquanto reflexo da atual incapacidade financeira das famílias portuguesas para adquirir casas a preços de mercado atuais.

Mas uma coisa parece ser certa: «a junção de vários fatores como a grande dimensão dos terrenos e edifícios alvo de intervenção, a localização dos mesmos aliada às boas acessibilidades, o interesse que Lisboa continua a gerar junto dos investidores e a necessidade de aumentar a oferta atual dos mais variados segmentos, dão a estes ativos / projetos uma versatilidade que se torna sinónimo de um rápido escoamento no mercado».