Promotores pedem estabilidade e rapidez para aumentar habitação

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COPIP

Sob o tema “Os promotores num mundo em transformação”, o encontro ficou marcado pela necessidade de uma maior previsibilidade regulatória, aceleração dos licenciamentos, reforço da colaboração público-privada e novas soluções de investimento em habitação.

“Sem promotores não há casas”

Na abertura da conferência, o presidente da APPII, Hugo Santos Ferreira, sublinhou que o contexto atual exige um reconhecimento mais claro do papel dos promotores imobiliários na resposta à crise habitacional: “O papel deste setor nunca foi tão importante como é hoje - sem promotores não há casas, e sem estabilidade não há futuro. Sem promotores imobiliários não há resposta”, afirmou.

O responsável defendeu que a habitação deixou de ser apenas um problema social para assumir uma dimensão estrutural, exigindo reformas que permitam aumentar a oferta. “O imobiliário foi tratado como problema - quando sempre foi parte da solução”, afirmou, acrescentando que o setor “não quer privilégios, mas condições para fazer”.

Entre as prioridades identificadas estiveram a redução do IVA na construção, a implementação do simplex urbanístico e alterações ao mercado de arrendamento que reforcem a confiança dos proprietários.

“Cada mês perdido no licenciamento representa menos oferta, famílias sem resposta e casas que não chegam ao mercado”, alertou.

Um mercado entre o ativo financeiro e a função social

Na sessão de abertura, António Ramalho, Chairman convidado da COPIP, destacou as tensões que atravessam atualmente o mercado imobiliário: “este mercado, por um lado, é dominado pelo valor dos ativos e, por outro, é um mercado necessário em função das capacidades de rendimento”, afirmou.

Segundo o responsável o principal desafio está em gerir estas duas dimensões num mercado fortemente emocional, num país onde “existe mais poupança na casa dos portugueses do que nos ativos financeiros”.

A leitura geopolítica também entrou no debate económico. “Falar hoje de geoestratégia é falar de geogestão - não se pode gerir sem olhar para o mundo”, acrescentou.

Os riscos para Portugal e Europa

A análise internacional esteve em destaque na conversa com Paulo Portas, que traçou um retrato de um mundo marcado pela aceleração das crises, mudanças demográficas e disputas económicas.

“A Europa tem um problema demográfico, produtividade, dependência energética e tem um problema que é ter saído do pódio da inovação”, afirmou. Para além disto, o antigo governante alertou para o impacto das mudanças demográficas no desenho das cidades portuguesas e na organização territorial: “Lisboa e Porto vão deixar de ser as maiores cidades de Portugal. Daqui a 10 anos, a ordem de grandeza das cidades portuguesas será diferente. Será Sintra, Gaia, Lisboa e Porto."

No campo habitacional, defendeu maior intervenção pública, mas também mais cooperação com o setor privado. “Não se resolve um problema de preços sem resolver o problema da oferta”, sublinhou.

Living esteve também no centro do debate

O investimento residencial esteve igualmente no centro do debate, com foco no segmento living, que inclui residências de estudantes, multifamily, flex living e senior living.

Augusto Lobo, Head of Capital Markets da JLL Portugal, defendeu que as alterações demográficas e sociais estão a redefinir a procura habitacional: “Temos uma demografia que está a mudar, agregados familiares mais pequenos e diversos, oferta menor que a procura e uma resposta pública e privada que não está à altura do problema”, afirmou.

Segundo o especialista, a Península Ibérica reúne condições particularmente atrativas para investidores internacionais: mudança demográfica, qualidade de vida, talento e capacidade de atração internacional. “O setor living é hoje uma das maiores classes de ativos imobiliários do mundo”, destacou.

Falta de oferta continua a ser principal travão ao mercado

Apesar do crescente interesse internacional, os constrangimentos estruturais continuam a limitar o desenvolvimento do setor. “A grande questão é a falta de produto”, resumiu Augusto Lobo, apontando como principais obstáculos a escassez de terrenos, os atrasos administrativos, a falta de mão de obra e o aumento dos custos de construção.

No segmento multifamily, o responsável destacou que o futuro do arrendamento institucional dependerá da existência de regras estáveis, financiamento competitivo e maior colaboração entre Estado e privados.

O Build to Rent foi também apontado como uma necessidade: “Temos de facilitar o build to rent - por uma questão de custos, fiscalidade, segurança jurídica e regras claras”, defendeu.

Aumentar a oferta continua a ser a principal prioridade dos promotores. Num contexto internacional marcado pela incerteza, o setor imobiliário voltou, assim, a apresentar-se como parte da solução para um dos maiores desafios económicos e sociais do país.