Preços das casas são a principal vulnerabilidade da banca, diz FMI

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que os preços da habitação são a principal vulnerabilidade com implicações futuras para o setor financeiro em Portugal.

Michaela Erbenova, diretora adjunta do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais do FMI, falava numa conferência organizada pelo Banco de Portugal, em Lisboa, onde destacou que os preços dos imóveis subiram 169% no nosso país desde 2015, o que compara com os 55% da zona euro.

Notou que “o crescimento do crédito hipotecário tem ficado substancialmente aquém do crescimento dos preços da habitação”, já que “grande parte das transações imobiliárias é realizada sem recurso a crédito bancário. Por esse motivo, o crescimento do crédito à habitação permanece reduzido, incluindo quando comparado com outros países da área do euro. Isto tem contribuído para a resiliência do sistema bancário. Ainda assim, entendemos que a evolução futura do crédito à habitação merece acompanhamento atento”, cita o DV.

Por outro lado, o endividamento das famílias encontra-se abaixo da média da zona euro, mas agora “regista uma tendência de subida” que requer monitorização.

Ainda assim, a responsável reconhece que, apesar de os preços dos imóveis estarem elevados, os riscos imediatos “estão contidos”, já que os bancos estão “altamente resilientes” a choques no mercado imobiliário. Com o ciclo de crédito a mudar, as “almofadas” financeiras podem diminuir, e a prioridade deve ser “preservar esta resiliência”.

No mesmo painel de debate, Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos, destacou que uma eventual crise grave que venha da habitação estará sempre dependente do emprego. A baixa taxa de desemprego é, atualmente, uma “almofada” para crises deste género. Admite que os preços continuam a subir, e “vão continuar a aumentar, porque há uma assimetria entre a procura e a oferta”, mas os bancos estão mais bem preparados que no passado, ainda que com “muito trabalho para fazer” em matéria de prevenção de riscos.