Habitação: mercado não responde às expetativas de 78% dos jovens

Ana Tavares |
Habitação: mercado não responde às expetativas de 78% dos jovens

Este estudo analisou a situação atual dos jovens sobre o seu grau de independência económica e expetativas de habitação. A C21 explica que «o objetivo passou por compreender as motivações, necessidades, expectativas e possibilidades dos jovens relativamente ao acesso à habitação, para que os operadores do setor imobiliário possam perceber melhor quais as soluções habitacionais que os jovens portugueses procuram, quando pretendem iniciar o seu projeto de vida adulta».

O relatório mostra que 59,3% dos jovens estão emancipados dos pais, percentagem que aumenta com a idade. A insegurança no trabalho (4,7%), o desemprego (6,4%) ou a dificuldade no arrendamento (4,4%) são alguns dos principais motivos para não conseguirem a casa que pretendem. Mesmo os 25,9% que já trabalham não têm os rendimentos necessários. 62,9% da base total dos inquiridos conta com menos de 1.000 euros mensais, e 17,2% ganham menos de 500 euros. Apenas 12% indicam ter rendimentos entre os 1.000 e os 1.500 euros por mês.

Dos jovens que já vivem fora dos pais 55,7% não são financeiramente independentes. Apenas 36,4% dos jovens consegue assumir a totalidade dos gastos com a habitação onde vive, cerca de um terço partilha despesas com o companheiro e em 21% dos casos os custos da casa são integralmente suportados pelos pais. A dependência económica dos progenitores chega aos 47,4% nos jovens até aos 24 anos.

 

Preferência por casa própria

33,4% dos jovens gostaria de morar numa casa própria em casal, enquanto que 18,5% gostaria de viver sozinho. 53,8% tem preferência por casa própria e 36,7% por casa arrendada. Quantos mais velhos, maior a sua inclinação para comprar casa.

Segundo a C21, «a opção por casa própria dispara para 64,5% nos jovens com mais de 30 anos, que são também os mais inseridos no mundo do trabalho. A aquisição de habitação é a solução apontada por 54,6% dos jovens entre os 25 e 29 anos».

Ricardo Sousa, CEO da C21, comenta que «quando procuramos identificar as motivações da face à habitação, constatam-se sinais muito claros dos mesmos valores que orientaram as gerações anteriores. Neste estudo, evidencia-se o desejo dos jovens de saírem de casa dos pais para viverem em casal, numa tendência que aumenta com a idade. Também se verifica que os jovens portugueses mantêm ainda uma forte cultura de proprietários, à semelhança do que se verificou na geração dos seus pais. Porém, o arrendamento já é uma opção desejada por um em cada quatro jovens no limiar da vida adulta».

Este estudo mostra que a opção de coliving «é irrelevante» nas preferências dos jovens e a menos atrativa para todas as faixas etárias, exceto para 3,4% dos que têm entre 25 e 29 anos.

 

A casa ideal

A C21 questionou os jovens sobre como gostariam que fosse a sua primeira casa. A maior parte gostaria de ter casa na cidade onde já vive (em especial no Porto, onde é a preferência de mais de 1/3 dos jovens) e na periferia da cidade, sendo o centro a segunda escolha.

4 em 10 jovens preferiam um apartamento, sendo que acima dos 30 anos a preferência recai pelas moradias, em particular no Algarve (36,6%).

A primeira casa a que os jovens aspiram deveria ter cerca de 80 m², valor que aumenta com a idade. Todos os géneros, segmentos etários e de todas as regiões do país foram unânimes a escolher uma habitação com dois quartos e duas casas de banho.

Quando foi pedido que projetassem um horizonte temporal de 5 a 8 anos, apenas 12,1% se vê a habitar numa casa arrendada. No futuro, 56,7% gostaria de ter uma moradia.

 

Expetativas “bastante elevadas”

Ricardo Sousa conclui que «os jovens demonstram ter expectativas bastante elevadas em relação à habitação, tendo em conta a oferta atual do mercado imobiliário nacional. No entanto, os resultados deste estudo apontam também os principais requisitos dos jovens face ao conceito de habitação que pretendem e os diversos fatores que condicionam os seus passos em direção a uma vida adulta».

E alerta que «cabe aos operadores do setor imobiliário o desenvolvimento de soluções de habitação adequadas, para suprir as necessidades dos jovens portugueses, quer a curto, quer a médio prazo».