Flexibilidade nos modelos habitacionais, precisa-se

Ana Tavares |
Flexibilidade nos modelos habitacionais, precisa-se

Esta foi uma das principais conclusões da sessão “As novas formas de viver o centro da cidade”, que decorreu a 14 de novembro no Palácio da Bolsa, enquanto parte da agenda da Semana da Reabilitação Urbana do Porto, organizada pela VI e pela JLL.

Patrícia Barão, diretora da área residencial da JLL, salientou durante uma das mesas de debate que «há uma necessidade crescente» deste tipo de imóveis para arrendar, «sobretudo por parte dos millennials, que só esperam adquirir casa aos 44 anos, em média». O co-living é uma novidade, mas «temos de melhorar e trabalhar a oferta, e criar condições para os investidores entrarem». Isto porque «estamos a viver uma altura extraordinária para o imobiliário», durante a qual «os apartamentos terão de ser mais flexíveis e otimizados. Vamos conseguir arranjar soluções variadas em vários campos para responder a esta nova tendência».

Por seu lado, Fernando Vasco Costa, diretor geral da Nexity em Portugal, acredita que a venda e o arrendamento coexistem, numa altura em que se vive «um bom momento para o investimento». Mas as rendas acessíveis «são necessárias, e deve haver mais interligação com as câmaras para fazer avançar este tipo de projetos. Os investidores querem investir neste segmento de rendas acessíveis, mas não conseguimos dar resposta ao mesmo ritmo das necessidades. Para resolver e acelerar o processo, as câmaras deveriam trabalhar mais com as consultoras».

O “build to rent” é hoje uma hipótese, mas é ainda «um produto novo», acredita Francisco Rocha Antunes, Chief Developer da Capital Urbano. «Temos que olhar para o rendimento das famílias para construir casas que possam pagar. Vale a pena densificar nalgumas zonas». Este responsável acredita que o principal desafio «é montar a operação. Sempre que tentamos a estabilizar o quadro surgem novas leis».

 

Porto tem de "saber fazer parte desta nova economia"

Ricardo Valente, vereador da Câmara Municipal do Porto, afirmou nesta tarde que «a lei deve acompanhar esta mudança», e que as atuais limitações relativas ao espaço «podem ser incompatíveis com estas novas formas de vida». E acredita que «o Porto tem de saber fazer parte desta nova economia», mantendo «a sua identidade única».

Espaços privados mais pequenos, mais serviços, contratos curtos e flexíveis, é este o modelo que o co-living propõe e que (maioritariamente) os jovens estão dispostos a aceitar, mas não há ainda oferta no nosso país. «Tudo isto depende de um processo legislativo muito lento».

As palavras são de Williams Johnson Mota, Co-Founder da B-Hive Living e embaixador da Co-Liv em Portugal, segundo o qual é necessário «educar o mercado para este novo segmento que tem dos maiores potenciais de crescimento», e «trabalhar com investidores privados e públicos para receber esta tendência». Assegura que «as autoridades têm estado muito atentas e tentam compreender o modelo».

A Smart Studios está já a trabalhar num modelo híbrido entre residência de estudantes e co-living para um target de idades de 29 anos, em média, pois «não sabemos como será o ensino superior no futuro», avançou Ricardo Kendall, CEO da empresa, durante este debate. O Porto faz parte dos planos, tendo já um projeto em fase de licenciamento na Invicta.  Mas admite que é necessária uma parceria com o setor púbico para que os preços sejam acessíveis para todos.