Talento: 40% dos trabalhadores podem deixar os seus empregos nos próximos anos

Ana Tavares |
Talento: 40% dos trabalhadores podem deixar os seus empregos nos próximos anos

O relatório mostra que os proprietários de edifícios de escritórios e empresas que os ocupam em toda a Europa «precisam de se concentrar na localização, conetividade e layout do local de trabalho» para conseguirem vender a “guerra” pelo talento.

Este estudo analisa os dados obtidos através do YouGov de 11.000 colaboradores, e mostra que 40% têm fortes hipóteses de deixar o seu emprego atual nos próximos 5 anos, sendo os suecos (52%), irlandeses (49%) e britânicos (49%) os que têm maior probabilidade de mudar de emprego.

Os entrevistados nos setores criativo e media (49%), tecnologia (44%) e serviços financeiros (40%) são os mais propensos a sair nos próximos cinco anos, enquanto os entrevistados da área jurídica (34%) e setores governamentais (33%) são os que mostram uma menor probabilidade de sair neste mesmo período.

Joana Rodrigues, Diretora do Departamento de Arquitetura da Savills Portugal salienta que «as empresas com especial atenção para com a saúde e bem-estar dos seus colaboradores estão mais capacitadas para reter talento e obter melhores resultados, através da criação de espaços mais colaborativos que se foquem na componente sensitiva e proporcionem novas experiências», numa altura em que «mais do que nunca, as pessoas procuram um maior equilíbrio entre a sua vida profissional e a sua vida pessoal/familiar. A introdução de novas formas de trabalho, mais flexíveis e diferenciadas, permite uma maior aproximação a este equilíbrio. Por outro lado a aposta forte em ferramentas tecnológicas, ajuda a otimizar o tempo dos colaboradores, sendo um dos fatores fundamentais para melhorar a produtividade».

Excluindo o fator remuneração, o tempo de deslocação e a localização dos escritórios são os fatores mais importantes para os trabalhadores na hora de considerarem um trabalho, nomeadamente para 86% dos inquiridos, seguidos pela qualidade da ligação wi-fi, ou da possibilidade de um espaço silencioso para melhor concentração. O custo das deslocações é fator diferenciador para 79% dos entrevistados.

Jeremy Bates, EMES Head of Occupational Markets da Savulls, nota que «as perspetivas para o emprego na Europa são fortes, mas com fatores imobiliários que são agora a chave diferenciadora na luta pelo talento; há uma corrida por espaços nos CBD’s europeus, que está a levar a taxa de disponibilidade a recordes mínimos. As empresas têm agora de planear cada vez mais pormenorizadamente os seus contratos de arrendamento e comprometer-se com um planeamento estratégico para assegurar a continuidade», conclui.