Setor de escritórios inicia o ano a diferentes ritmos em Lisboa e Porto

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Fotografia: Pexels

Nos dois primeiros meses do ano, a capital registou um crescimento significativo da atividade, com a ocupação de 17.250 m² de escritórios, o que representa um aumento de 55% face ao mesmo período de 2025. Já no Porto, a absorção manteve-se praticamente estável em relação ao ano anterior, com cerca de 2.500 m² contratados.

Bernardo Vasconcelos, Head of Office Leasing da JLL, contextualiza as diferenças entre os dois mercados, referindo que Lisboa beneficia de uma maior dimensão e liquidez: “Apesar das restrições no pipeline, continua a existir na capital maior disponibilidade de espaços que respondem aos requisitos das empresas, permitindo manter uma dinâmica de crescimento. No Porto, pelo contrário, a escassez de produto é mais evidente num mercado menos líquido. Quando não existem espaços que correspondam às necessidades das empresas, as operações acabam por ficar em stand-by e a absorção é afetada”, refere.

Relativamente à procura, o responsável refere que “não existem sinais de abrandamento estrutural. Um indicador claro é o facto de todas as operações registadas terem sido para ocupação imediata. As empresas continuam interessadas em novos escritórios, num contexto da consolidação dos modelos de trabalho e de perspetivas económicas relativamente positivas para Portugal. As previsões apontam também para um crescimento do take-up em Lisboa e Porto nos próximos 2 anos”.

Ainda assim, acrescenta que “a instabilidade geopolítica internacional e respetivo impacto na economia global estão a aumentar a cautela das empresas nas decisões de investimento, incluindo as relacionadas com o imobiliário corporativo. Esse efeito começou já a sentir-se em fevereiro, mês que registou uma desaceleração mensal da absorção”.

Em fevereiro, as empresas contrataram 7.200 m² de escritórios em Lisboa e 400 m² no Porto, o que representa quebras mensais de 28% e 80%, respetivamente, face a janeiro.

Na capital, destacaram-se três operações acima de 1.000 m², incluindo a instalação da Servdebt em 1.450 m² num edifício de referência no Parque das Nações, numa operação acompanhada pela JLL. Esta zona foi a mais dinâmica do mês, concentrando 59% da área ocupada. Em termos setoriais, o segmento de TMT’s & Utilities liderou a procura, com 39% da área contratada.

No Porto, o mesmo setor foi responsável pela totalidade da atividade registada em fevereiro, tendo a única operação do mês ocorrido na zona do CBD–Baixa.

No acumulado de janeiro e fevereiro, realizaram-se 24 operações no mercado de escritórios de Lisboa, que totalizaram 17.250 m² — um aumento de 55% face ao mesmo período de 2025. As Novas Zonas de Escritórios e o Parque das Nações foram as localizações mais dinâmicas, concentrando 34% e 33% da área ocupada, respetivamente. Em termos setoriais, destacaram-se as Empresas de Serviços (28% do take-up) e o segmento de TMT’s & Utilities (34%).

No Porto, o mercado contabilizou quatro operações que somaram cerca de 2.500 m². A Zona Empresarial do Porto concentrou 69% da área ocupada, enquanto o setor de TMT’s & Utilities foi o principal motor da procura, representando 85% da absorção no período em análise.