Organizações transformam-se para conseguir um “triple balance”

Ana Tavares |
Organizações transformam-se para conseguir um “triple balance”

Esta foi uma das principais conclusões da mais recente Workplace Design Conference, organizada pelo 3G Smart Group em Lisboa. Um encontro que se realiza há quase 20 anos, e que tem registado uma evolução constante das preocupações das empresas ao longo deste período.

Se inicialmente a discussão recaia mais sobre as ferramentas funcionais perfeitas para cada atividade, na diminuição da pegada ecológica ou na introdução de tecnologia, atualmente as empresas preocupam-se «não só em não impactar negativamente o planeta mas em deixar um impacto positivo, e em impactar não só as pessoas, mas também a sociedade no seu todo», explica Francisco Vázquez, presidente do 3G Smart Group. «Vemos o futuro com este foco no “triple balance” (equilíbrio triplo), que tem a ver com o impacto no planeta, na sociedade, e com o sucesso financeiro, porque todos precisamos de ganhar dinheiro. É este o nosso foco», completa.

 

Importância do propósito

A importância do propósito da empresa na hora de abraçar a mudança ficou patente neste encontro. Só com uma clara ideia dos objetivos de uma organização se pode começar uma transformação positiva e duradoura.

E a comunicação tem também aqui um papel fundamental, nomeadamente na incorporação dos colaboradores nestas mudanças. «Ou incorporamos as pessoas nos processos, ou elas vão fazer o que sempre fizeram em espaços muito mais bonitos», resume Carlos Aguirre, diretor do 3G Smart Group. «Podemos ter muitas tecnologias e servidores muito potentes, mas precisamos que as pessoas mudem o seu mindset», completa José Javier Rego, diretor geral da COOCREA.

O desafio é ainda maior quando nunca houve tantas gerações distintas a trabalhar juntas: «a organização tem de desenhar para todos, e há que atrai-los para o escritório numa altura em que podem trabalhar em qualquer lugar».

Medir as várias variáveis é essencial: «não se trata de quantas pessoas usam ou não a sala, mas sim o nível de colaboração, por exemplo», explica o responsável. Questionários, workshops, estudos de ocupação ou observações de campo e análise da rotina diária de cada um são algumas das opções.

 

O poder dos “consumidores do espaço de trabalho”

«Os colaboradores são hoje os consumidores do espaço de trabalho», acredita Susana Branco, Employee Experience Designer da Rrebrand.

Se «o desenho da experiência do cliente já não se questiona, então temos de desenhar também a experiência dos colaboradores, trazendo a experiência das marcas para dentro das organizações». Isto porque «se não apostarmos na forma como envolvemos os nossos colaboradores nos nossos processos, como é que podemos esperar entregar bons produtos e bons serviços? Além disso, eles também são consumidores de outras marcas, e por isso são muito mais exigentes com a sua organização. E têm o poder de decisão se colaboram ou não», considera a especialista.

Por isso, as empresas «têm de ter os seus valores claros, mesmo que não sirvam todas as pessoas». E deixa um aviso: «as experiências dos colaboradores acontecem de qualquer forma, mas as boas não acontecem por acaso. Querem desenhá-las, ou deixar que elas aconteçam sozinhas?».