Escritórios: “O mundo não está a mudar, já mudou”

Ana Tavares |
Escritórios: “O mundo não está a mudar, já mudou”

É a conclusão a que chega Francisco Vazquez, do 3G Smart Group e organizador da conferência “Beyond 2020”, incluída nas Workplace Conferences, organizadas pela 3G Office, que decorreu no passado dia 21 de abril em Lisboa, na sede da Deloitte, host desta sessão.

Neste contexto, importa, por isso, saber quais as grandes tendências dos espaços de trabalho corporativos da atualidade, e para onde caminham os mesmos, adaptando-se a este mundo de mudança, fortemente impulsionado pela tecnologia, e foi este um dos temas principais desta conferência.

Para dar conta do possível futuro das empresas, esteve presente Beatriz Lara, para quem «um mundo de crescimento sustentável é possível», apesar de este não ser o cenário mais provável. Isto porque «os problemas que enfrentamos são muito grandes, e de impacto global, mais complexos». Por isso, acredita que é necessária mais colaboração entre os países (e entre todos), tecnologia centrada nas pessoas, e inovação sistémica das empresas. A adaptabilidade é essencial neste contexto, onde a mudança deve partir precisamente da organização, já que «o business management é muitas vezes o impedimento da mudança». E deixou a nota de que «o trabalho deixou de ser um lugar para onde se vai, e passou a ser uma atividade que se faz».

Neste seguimento, a intervenção de Javier Creus deu nota das novas empresas que crescem de forma exponencial, como é o caso da Wikipedia, da Airbnb, da Bla Bla Car, entre outras, e o que têm para conseguir evoluir assim. Essencial é «romper com o modelo de negócio, pensar desde a ‘internet of things’», ou a partilha de conhecimentos. Vingam atualmente «os que, ao olhar o céu, conseguem ver não só estrelas mas sim constelações e inventar novas fórmulas que gerem mais valor», exemplificou.

Por seu lado, Antonio Heras, diretor do Smart Working/Grupo 3G Office, realçou que «há 4 anos não se sabia se os novos modelos de escritório (caso da Google) iriam funcionar. Mas agora sabemos que todos estão a fazer o mesmo». Os benefícios para a organização são vários, e agora «o driver já não é colocar mais pessoas em menos metros quadrados», apesar da poupança ainda estar presente. Os drivers atuais são a marca, «atrair e reter talento», a sustentabilidade, tecnologia, ou o «efeito wow». Na sua perspetiva, a maneira como se comunicam as mudanças aos colaboradores é fundamental, e colaboração entre a empresa (várias hierarquias) é palavra de ordem. Isto porque «não se trata de mudar a forma de trabalho, essa já mudou», concluiu.

“O fim dos zombies corporativos”

Ainhoa Fornós, do Mind the Gap, da área dos recursos humanos, focou-se precisamente nas pessoas no espaço corporativo, e em quem são os novos trabalhadores. Por exemplo na liderança, «o chefe tem de ser um gestor de comunidade, e o papel como manager tem de mudar», afirmou, porque a empresa «não é dona dos empregados». Por outro lado, existe cada vez mais uma necessidade de coerência das empresas, e de comunicação mais fácil entre todos. «O que se quer atualmente é um propósito, qualificações, conexão, e autonomia. Os jovens (particularmente os ‘millennials’) vão a outra empresa se não gostarem desta, e é preciso inovar depois de ouvir».

O Caso da nova sede da Deloitte

A nova sede da Deloitte é um bom exemplo desta mesma mudança. Segundo Miguel Paiva Couceiro, Real Estate Project Manager da Deloitte, o projeto de mudança para a nova sede da empresa em lisboa, do Atrium Saldanha para o edifício Duarte Pacheco 7, começou em 2014, e prendeu-se com a necessidade de «uma maior satisfação dos nossos profissionais e um upgrade da marca». A empresa pretendia assim «adotar novos conceitos, acompanhar as formas de trabalhar, maior colaboração das equipas, optimizar o investimento», explicou o responsável.

Reconhecendo a ideia de que o escritório é, muitas vezes e para muitas áreas, cada vez mais um ponto de passagem, na Deloitte os colaboradores podem trabalhar em vários locais, desde que disponíveis, pelo tempo que for necessário, não tendo um posto de trabalho fixo, na sua esmagadora maioria. As infraestruturas de apoio, como sejam as zonas do café, de refeição, impressão, etc, sofreram também mudanças radicais de localização ou uso face ao anterior espaço, sendo que a ideia foi sempre a de otimizar o espaço. A nova sede tem 12.300m², tem capacidade para acolher 2.300 profissionais (2.100 lugares sentados) com uma média de 10m² por cada um. Está ainda equipada com 110 ecrãs e igual número de salas de reuniões, e a optimização do espaço permitiu mesmo que a equipa aumentasse em 500 colaboradores sem necessidade de ampliação dos postos de trabalho.