A JLL divulgou o estudo “Workforce Preference Barometer 2026”, que conclui que o sucesso do trabalho híbrido em Portugal depende sobretudo da qualidade da experiência no escritório.
O estudo envolveu 8.700 pessoas em 31 países, cerca de 200 em Portugal. A maioria dos inquiridos está em Lisboa (56%) e no Porto (29%), com metade entre os 30 e os 50 anos.
Ir ao escritório passou a exigir uma proposta de valor clara, centrada no bem-estar, conveniência e qualidade do espaço. Segundo Andreia Almeida, Head of Research da JLL Portugal, “os colaboradores portugueses estão disponíveis para ir ao escritório — desde que isso melhore o seu dia a dia. Flexibilidade, equilíbrio e uma experiência de trabalho cuidada deixaram de ser benefícios adicionais e tornaram‑se elementos essenciais para atrair, motivar e reter talento em Portugal”.
A responsável destaca ainda que o país apresenta exigências: “Melhorar a experiência no escritório, reforçar as condições de bem‑estar e investir em verdadeira flexibilização são hoje prioridades estratégicas. As empresas que o fizerem estarão mais bem posicionadas num mercado de talento altamente competitivo, onde o imobiliário assume um papel decisivo”.
O estudo indica que 65% dos trabalhadores têm políticas definidas de presença, mas esta está “cada vez mais condicionada pela qualidade da experiência no local de trabalho, onde fatores imobiliários relacionados com a localização e valências da zona envolvente, por exemplo, têm uma importância cada vez maior”.
Segurança e acessibilidade continuam a ser os fatores mais valorizados, enquanto a qualidade ambiental, identidade do bairro e serviços da zona geram mais insatisfação. Ainda assim, há aspetos positivos no regresso ao escritório, com níveis de satisfação acima da média europeia, sobretudo na colaboração, concentração, socialização e ligação à cultura da empresa.
O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é central: para 71% dos trabalhadores, é decisivo para escolher ou manter um emprego. Entre os benefícios mais valorizados estão o apoio ao transporte (gratuito ou subsidiado), seguido de serviços de saúde e alimentação. Apesar do modelo híbrido, persistem problemas: 58% quer mais flexibilidade de horários e 35% sente-se insatisfeito com dias obrigatórios no escritório, principalmente pelo impacto na qualidade de vida.
O burnout é uma preocupação crescente: 57% dos que ponderaram sair apontam-no como motivo, embora o salário continue a ser a principal razão de mudança.
Segundo o estudo, o risco de burnout é uma também preocupação crescente e um motivo relevante para a intenção de saída de uma empresa. Em Portugal, 57% dos colaboradores que pensaram em despedir-se apontaram o burnout como uma das razões. Ainda assim, a procura por melhores condições salariais continua a ser o principal motivo de mudança.
Sobre o papel do imobiliário no futuro do trabalho, Sofia Tavares, Head of Leasing Advisory da JLL, sublinha que “num contexto de estabilização do modelo híbrido, as empresas que investirem na melhoria do ambiente de trabalho — desde o edifício à localização, passando pelos serviços e pela conectividade — estarão mais bem preparadas para atrair talento e sustentar políticas de presença. A qualidade do escritório deixou de ser apenas uma infraestrutura operacional e passou a ser parte integrante da proposta de valor das organizações”.
A responsável conclui que “os dados revelam que os portugueses estão disponíveis para regressar ao escritório, mas apenas quando isso faz sentido e melhora o seu dia a dia. O mercado imobiliário tem aqui uma oportunidade clara: criar espaços que respondam às necessidades funcionais, mas que também inspirem, promovam bem‑estar e reforcem a cultura organizacional. Com uma força de trabalho mais exigente e uma valorização crescente da experiência no escritório, entramos num novo ciclo do mercado corporativo, em que o foco passa definitivamente do espaço enquanto infraestrutura para o espaço enquanto experiência.”