E&V tem «grandes expetativas» para Portugal

Ana Tavares |
E&V tem «grandes expetativas» para Portugal

De acordo com Constanza Maya, Managing Director for Franchise para Portugal, Espanha e Andorra da E&V, a imobiliária, que se dedica ao segmento premium, «tem um importante plano de expansão em Portugal nos próximos anos. Este ano, estamos particularmente interessados em consolidar presença na zona sul do país, com licenças interessantes como Portimão, Faro ou Tavira», explica a responsável em entrevista à VI. «Estas licenças ainda não foram vendidas, e tratam-se de zonas que deverão crescer nos próximos anos, por isso consideramos que são um bom sítio para investir».

Por outro lado, a E&V olha também para a expansão na região Norte do país, «a começar pelo Porto, uma cidade em crescimento que funciona como porta de entrada para outras localizações na região Norte». Diz a responsável, «esperamos um grande ano para Portugal no geral, não só nas zonas mais conhecidas e consolidadas, mas também nas que serão mais desenvolvidas nos próximos tempos».

Segundas residências dominam procura

Entre os principais clientes (estrangeiros), destaque para os franceses, ingleses, alemães, suecos e outros países escandinavos, chineses e brasileiros, enumera a responsável. «O seu ticket médio pode variar substancialmente conforme a zona do país, mas podemos situar entre os 400.000 e os 500.000 euros», estima.

A razão número 1 para estes clientes estrangeiros que compram casa em Portugal é a procura de uma segunda residência ou casa de férias. Em segundo lugar, procuram o nosso país para passar a sua reforma ou, em terceiro, um investimento. Constanza Maya avança também que muitos procuram «uma combinação de casas de férias, que são usadas durante alguns meses do ano. São, ao mesmo tempo, um investimento, pois são arrendadas durante os meses em que não são utilizadas pelos proprietários», gerando este rendimento extra. Por fim, a E&V é procurada também por trabalhadores freelancers europeus, que aqui pretendem estabelecer-se, devido ao bom clima, gastronomia e bom acolhimento. Políticas públicas de atração de investimento, como os “golden visa” ou o Regime de Residentes Não Habituais «têm tido sucesso».

Charme das cidades não compete com construção nova

 Constanza Maya acredita que os apartamentos nos centros de cidades como Lisboa ou Porto, reabiltados, fazem parte do «charme de Portugal». Mesmo que haja algum estrangulamento da oferta deste tipo de produto, acredita que «construção nova não é alternativa para os clientes estrangeiros, por isso esperamos que a procura se alastre a outros bairros, como uma mancha de petróleo que começa no centro da cidade e se pode estender aos subúrbios».

Apesar da falta de produto, considera que não faz sentido falar de uma bolha imobiliária «devido ao aumento dos preços. As bolhas têm conotações financeiras inerentes e relação com hipotecas ou empréstimos, e isto não está a acontecer. Não temos de ficar preocupados ainda, apesar de Portugal se estar a tornar num destino cada vez mais popular de procura e de algumas cidades se estarem a tornar numa marca».

Luxo «é sempre um mercado estável»

«O luxo é sempre um mercado estável, já que é menos afetado pelas crises e também cresce em períodos de prosperidade, especialmente no segmento médio/alto, que ganha poder de compra», nota Constanza Maya. Portanto, «acreditamos que há ainda uma grande margem» para este mercado crescer, «sobretudo se tivermos em consideração que estamos a crescer enquanto marca em Portugal, a par da própria economia. Temos grandes expetativas para o futuro próximo».

Por outro lado, a instabilidade geopolítica é uma vantagem para o destino Portugal, considera a responsável, e «incentiva o investimento» no nosso país, já que estamos «longe do terrorismo ou de conflitos religiosos que se sentem em França, na Alemanha ou no Reino Unido», exemplifica. Além do mais, os preços podem estar a subir em Portugal, mas «ainda não são considerados caros comparativamente com o resto da Europa».