Retalho captou investimento de €6.700M nos últimos anos

Ana Tavares |
Retalho captou investimento de €6.700M nos últimos anos

 

Os números são da C&W, que os divulga no seu primeiro “Portugal Retalho – Março 2018”, que faz uma análise do setor do retalho neste período de tempo. Segundo a consultora, «a entrada dos investidores deu-se pelos centros comerciais», que nos últimos anos perceberam o potencial do comércio de rua de Lisboa e Porto, impulsionado pelas alterações à lei do arrendamento e pelo aumento do turismo. E são cada vez mais as nacionalidades que escolhem investir em Portugal. Até porque o setor dos centros comerciais no nosso país é muito maduro, e a grande novidade é mesmo a rua.

«Com a antiga lei do arrendamento, podemos dizer que não havia comércio de rua. O turismo e a reabilitação urbana, a par da maturidade dos centros comerciais, deram uma nova dinâmica», comenta Sandra Campos, Head of Retail da C&W, que alerta que «esta lei é poderosa o suficiente para por em causa toda a dinâmica de uma cidade».

Entre 2015 e 2017, foram registadas 1.600 operações no setor do retalho, 57% em centros comerciais, impulsionadas pelas novas aberturas de shoppings como o Évora Plaza ou o  MAR Shopping Algarve, e pela expansão do Colombo. Mas, na verdade, «Não houve mais procura nos shoppings», explica Marta Esteves Costa, Associate e diretora de Research da C&W. Já as rendas prime aumentaram cerca de 53% para o total da oferta desde 2013, cerca de 100% na zona de Santa Catarina, no Porto, 81% na Rua Augusta e 43% no conjunto dos centros comerciais de Lisboa.

Prova do dinamismo do comércio de rua em Lisboa é que, depois de ter sido superada com o Colombo, a área comercial da Baixa supera agora este grande centro comercial, com 91.000 m², segundo Sandra Campos. «A ligação é muito mais contínua» no que diz respeito à oferta entre a Avenida da Liberdade e o rio, e tanto Lisboa como o Porto «estão no mapa da expansão dos retalhistas».

A Baixa de Lisboa concentra 46% da oferta (m²) do comércio de rua da cidade, seguida pelos 21% da Avenida da Liberdade, dos 20% do Chiado e dos 13% da zona dos Restauradores e Rossio. Mas foi na zona dos Restauradores e Rossio que a oferta mais cresceu entre 2007 e 2017, cerca de 50% em 10 anos. Só no eixo Flores/Mouzinho da Silveira, no Porto, abriram 170 novas lojas desde 2015.

As zonas de comércio mais antigas da cidade são as que têm um maior peso dos retalhistas tradicionais. E o dinamismo do comércio de rua nas principais artérias tem tido «um efeito de contágio» a outras zonas. É o caso do Parque das Nações, das Avenidas Novas, do Cais do Sodré ou do Príncipe Real, zonas com uma oferta muito específica. E «as próximas zonas serão sempre as perpendiculares e paralelas das grandes artérias comerciais de Lisboa e Porto», como a zona ribeirinha do Braço de Prata, Santos, Alcântara ou a Avenida Almirante Reis, em Lisboa, e a zona de Cedofeita, no Porto, nota Sandra Campos.

 

Mudança do perfil do consumo marca a indústria do retalho

A procura da proximidade é outros dos fatores que está a pautar o momento do retalho em Portugal, impulsionando a procura pelo comércio de rua. Este é uma das novas tendências que parece estar para ficar.

Os novos hábitos de consumo que ficaram depois da crise estão a ter um grande impacto na mudança da oferta de lojas, que «já não se limitam a vender o seu produto, mas também a associar alguma experiência». Valoriza-se «a experiência individualizada dentro do espaço físico», numa altura em que «a fidelidade à marca é menos importante que a experiência», nota Sandra Campos. O lazer e a proximidade são outras componentes essenciais.

Uma nova «preocupação com o saudável ou sustentável» também é visível nos novos conceitos, bem como o grande peso que a restauração tem agora na oferta, dominando as novas aberturas de 2017, e muito ligada também à experiência.