Reabilitação faz-se com tipologias cada vez mais pequenas

Ana Tavares |
Reabilitação faz-se com tipologias cada vez mais pequenas

 

Estas tipologias permitem colocar maiores números de frações no mercado e obter uma rentabilidade mais apetecível. 

Adriana Floret, arquiteta fundadora de um dos primeiros gabinetes de arquitetura dedicados à reabilitação urbana no Porto, explica que «enquanto o turismo estiver com esta força toda no centro da cidade, vai ser muito difícil convencer um proprietário a tirar casas do alojamento local em troca de benefícios fiscais».

A arquiteta explica ao Público que «o turismo tem permitido, para o bem e para o mal, reabilitar os edifícios. Mas é preciso ter algum cuidado, porque têm vindo a ser muito alterados, e descaraterizados até, com a introdução de tipologias de pequena dimensão, e para dar resposta aos atuais níveis de exigência térmica e acústica. Daqui a uns anos vamos precisar de regressar a estes T0 e T1, para os reabilitar, para os fazer crescer. Mas o pior, para mim, é estarmos a demolir o que existe para reconstruir imitações. Estamos a perder o genuíno para criar o pitoresco».

Sandra Marques Pereira, investigadora do Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território do ISCTE, explica ao mesmo jornal que os global homebuyers, ou os investidores internacionais, estão a ter um peso crescente nos centros das cidades: «alguns estabelecem residência na cidade, mais ou menos permanente, e outros fá-lo-ão, por exemplo, como estratégia facilitadora de entrada na Europa».

Na sua opinião, o investimento imobiliário internacional e a “financeirização” deste mercado «introduz uma disrupção total entre a oferta a procura» que não está a ser tida devidamente em conta pelo Governo na sua nova política habitacional, que «é uma realidade em muitas cidades, a nível internacional, mas que, no caso português, é ainda mais grave pois o rendimento médio da população está muito aquém do europeu». Por isso, acredita, «não faz sentido o cálculo da renda a preços acessíveis ser feito a partir da oferta».