QUALIFICAÇÃO E FIDELIZAÇÃO SÃO CHAVE PARA PROLONGAR BOM CICLO TURÍSTICO

Ana Tavares |
QUALIFICAÇÃO E FIDELIZAÇÃO SÃO CHAVE PARA PROLONGAR BOM CICLO TURÍSTICO

É ponto assente que Portugal vive um momento excecional para o turismo mas, perante um setor por natureza cíclico, estas são algumas das questões que devem ser trabalhadas. É o que acreditam os responsáveis do setor presentes no mais recente Pequeno-Almoço VI “Turismo & Imobiliário – Como sustentar o crescimento?”, realizado esta semana no InterContinental Lisbon em parceria com a C&W e com o apoio da APR.

Para José Roquette, do Grupo Pestana, «o setor é cíclico e estamos a viver algo que não vai ser para sempre, inevitavelmente. É importante perceber que este momento tem ventos externos muito favoráveis» e, acredita, «o grande desafio será qualificar para fidelizar, para poder aumentar preços e fixar os novos mercados que se maravilham com Portugal».

A AHP, representada no evento por Cristina Siza Vieira, é da mesma opinião, que considera que «a qualificação para o bom serviço é o maior desafio dos próximos tempos», num setor «muito fragmentado». Para a responsável, «há boas dores de crescimento» no setor, numa altura em que o crescimento das receitas atingiu os 21% só no 1º semestre, e em que a oferta acompanha o crescimento da procura. «Este volta a ser o melhor ano de sempre».

Já Jorge Rebelo de Almeida, do Grupo Vila Galé, nota «o ciclo é muito rápido», o que faz com que o turismo careça de organização para evitar uma «concentração excessiva» de turistas em algumas zonas da cidade, mas nega que haja turismo a mais. Com o surgimento de novos produtos que se esperam nos próximos tempos, «vai sentir-se se há ou não consistência na procura», acredita.

Carlos Leal, do Pine Cliffs, considera importante «criar condições para que haja mais procura, podemos influenciar isso», numa altura em que «a nossa mais valia é a segurança». E, perante possíveis “abanões” como o Brexit, afirma que «os ingleses já viajavam para Portugal antes de pertencermos ao Euro, vão continuar a viajar. O impacto vai sentir-se através da desvalorização da moeda». Diogo Gaspar Ferreira, da APR, concorda que «o valor da libra é o que importa, é o que tem efeito nas reservas com antecedência, no golfe», bem como na compra de imobiliário, pois «o valor das suas casas no Reino Unido é o seu “colateral”, e não vão valorizar mais nos próximos anos».

Por seu turno, Ricardo Gonçalves, do Grupo Hoti, considera que «a vocação turística do país tem de ser capitalizada», e «temos de estar preparados para as alterações do mercado», acreditando que «no próximo ano, Lisboa não vai crescer, pois o aeroporto atingiu o seu limite. A procura está condicionada».

Outro dos desafios e um trabalho de importância indiscutível para os bons resultados do momento turístico atual, é a promoção do destino, na qual a APR tem estado especialmente ativa, em particular na promoção externa, em feiras e eventos específicos, nomeadamente com o apoio do COMPETE e do Turismo de Portugal. «Os nossos associados continuam a aderir entusiasticamente a essas iniciativas. Quanto mais capacidade de alavancagem própria tivermos, melhores serão os resultados», nota Pedro Fontaínhas, da APR. Para si, é urgente «promover Portugal nos mercados ditos “maduros”. Há que reforçar a mensagem».

Este encontro contou também com as presenças de Eric van Leuven e Gonçalo Garcia, da C&W, Eduardo Abreu, da Neoturis, ou António Gil Machado, da VI.