Porto é destino de investimento “competitivo na Europa”

Ana Tavares |
Porto é destino de investimento “competitivo na Europa”

 

A opinião é de Francisco Salgueiro, representante da candidatura da cidade à EMA, que falava esta 3ª feira durante a Semana da Reabilitação Urbana, ocasião na qual avançou que «no próximo dia 20 de novembro saberemos se o Porto será a cidade de acolhimento da EMA. Acreditamos que temos razões ponderosas para receber a agência».

Para acolher a EMA, os candidatos tinham de apresentar um edifício com mais de 27.000m², e segundo o responsável «o Porto apresentou 3 localizações possíveis, nomeadamente o Palácio Atlântico, o edifício dos Correios, na Avenida dos Aliados, e um terreno na Avenida Camilo, três localizações que respondem integralmente aos requisitos». Além disso, a escolha pela Invicta relativamente recente de três grandes financeiras, da banca bolsa e seguros, «comprovam a capacidade do Porto de acolher grandes empresas», e isto dá confiança aos investidores.  

 

Procura já supera a oferta

João Nuno Magalhães, CEO da Predibisa, consultora que opera na Invicta, atesta que a competição dos investidores está em crescendo: «temos pedidos para algumas ruas que são o dobro da oferta disponível», numa altura em que existe «muito pouca oferta de arrendamento para habitação», exemplifica. Além disso, e apesar de a atividade de comércio ser ainda bastante inferior à de Lisboa, «acreditamos que o crescimento do turismo alavanque não só a valorização do imóvel como também o aumento da procura».

Mas deixa o aviso de que «é necessário regular o mercado e criar mais transparência, através de recursos mais especializados, e incentivar os promotores na criação de melhores espaços de escritórios, mais atrativos».

De acordo com a consultora, entre 2000 e 2016, o Porto atraiu mais de 1.000 milhões de euros em investimento institucional. 52% deste montante, equivalente a 550 milhões de euros, foram investidos em retalho, enquanto que 250 milhões de euros terão sido aplicados em escritórios, bem como 150 milhões de euros em indústria.

 Atualmente, escritórios, alojamento local ou residências de estudantes e comércio de rua são alguns dos segmentos que oferecem maiores rentabilidades.

 

Entrada no Porto ainda é muito competitiva

Para Luís Corrêa de Barros, CEO & Partner da Habitat Invest, o Porto tem a seu favor o facto de o preço de entrada ser «ainda baixo». O crescimento do turismo e o «apoio e celeridade no processamento dos projetos, junto da CMP, a distinção e reconhecimento internacional» do destino estão a jogar a favor, apesar de ser «um mercado mais pequeno, menos internacional e com menos poder de compra, com um prémio de risco mais alto comparativamente a Lisboa».

Muitos dos investidores procuram escritórios no Porto, mas «é preciso modernizar o stock», acredita Pedro Seabra, Partner da Explorer Investments, que concorda ainda que «o mercado imobiliário do Porto está a crescer, mas está apenas no começo».

Já Pedro Coelho, Chairman da Square Asset Management, aponta que «a transformação está espelhada na baixa», e que o turismo alavancou primeiro o setor hoteleiro e depois o residencial, «à semelhança de Lisboa». Nos próximos tempos, o desafio está nos escritórios, que assistirão a «um salto qualitativo muito grande».

 

A Semana da Reabilitação Urbana do Porto decorre esta semana no Palácio da Bolsa, até dia 12 de novembro. A agenda completa do evento pode ser consultada aqui.