Porto aposta na recuperação demográfica com novo PDM

Ana Tavares |
Porto aposta na recuperação demográfica com novo PDM

 

Segundo Pedro Baganha, Vereador do Urbanismo da Câmara Municipal do Porto, a ideia passa por «estancar a perda demográfica» da invicta, afirmando o Porto como «cidade média da Europa e como capital de uma área metropolitana de 1,2 milhões de habitantes», reforçando ainda a coesão do território com uma aposta no Porto Oriental e dando «nova atenção» ao arco periférico da cidade.

Falando no primeiro evento dos Pequenos Almoços do Imobiliário, no Porto, organizado pela VI, explicou que a sustentabilidade da cidade é uma das preocupações, e por isso a autarquia quer «olhar para as áreas de expansão de forma inteligente e de acordo com as capacidades de mobilidade», especialmente áreas servidas pela rede de Metro, libertando ainda solos para espaços verdes. A circulação automóvel no centro da cidade será cada vez mais reduzida, «aumentando a urbanidade da cidade».

Salientou ainda a importância «do sucesso da reabilitação da habitação social» dos 13 bairros sociais do Porto, com mais de 30.000 habitantes e 13% da população, que garantiu que vai continuar.

 

Porto vive «um momento épico», mas oferta requer atenção

O mercado imobiliário do Porto «vive realmente um momento épico, com todos os indicadores em máximos históricos», nota Ricardo Guimarães, diretor da Ci.

«Este momento decorre da combinação de várias forças, começando desde logo pelo ritmo de investimento em reabilitação, que não para de crescer. É especialmente forte no Centro Histórico, mas está a disseminar-se para as zonas próximas, como Cedofeita, Santo Ildefonso e Bonfim. Mas em geral, no território da cidade, é visível um crescimento muito expressivo do licenciamento, que atingiu máximos desde 2011, e também o pipeline de novos fogos está a crescer, com mais de 2.900 casas a entrarem em carteira no ano passado», explica.

Esta dinâmica «tem impulsionado a valorização dos imóveis, cujos preços subiram mais de 10% em 2017 no Centro Histórico (Índice de Preços do Centro Histórico do Porto) e já recuperaram 128% face a 2011 (quando atingiram o ponto mais baixo)». Da mesma forma, indicadores como o desconto aplicado sobre o preço de oferta das casas reduziu e o tempo que uma casa demora a ser vendida caiu para metade em dois anos.

No entanto, realça que «é necessário estar desde já atento à evolução do mercado, especialmente em termos do fluxo de oferta que se avizinha. É que dos apartamentos que entraram em pipeline em 2017 na cidade, mais de 1.800 são de tipologias T0 e T1 e a maioria deste novo caudal de oferta está na Baixa e Centro Histórico, uma zona onde as duas tipologias concentraram já 84% das vendas em 2017. E, embora não tenhamos a certeza de como este movimento impactará no mercado, é preciso perceber que esse impacto existirá e que acontece num mercado que está hoje a testar limites de preço».

 

Otimismo na mediação

Ricardo Sousa, da Century 21, atesta o otimismo do setor, com um aumento da procura e mais compradores do que proprietários. A subida dos preços é notada em todo o território nacional, resultado da escassez de oferta. Mesmo assim, o número de transações aumentou no ano passado.

Em 2018, espera que continue o aumento do turismo, que se faz sentir também no mercado imobiliário. Uma maior procura nas periferias das cidades será também uma tendência dada a escassez da oferta e os preços mais elevados dos centros, tendência para a qual poderá também contribuir a obra nova e mais crédito à habitação.

Francisco Ferreira Lima, da CGD, destacou nesta ocasião que, «feito o diagnóstico do trabalho da CGD com a mediação imobiliária, o grau de profissionalismo de hoje nada compara com a realidade de há 10 anos». Atualmente, nota, é reforçada a aposta na decisão na hora, com a redução dos processos de 44 para 13 dias até à escritura.

 

Os Pequenos Almoços do Imobiliário são organizados com o apoio da Century 21, CGD e Confidencial Imobiliário.