Oferta para a classe média será foco do imobiliário nos próximos anos

Ana Tavares |
Oferta para a classe média será foco do imobiliário nos próximos anos

 

Esta foi um dos pontos defendidos no SIL Investment Pro, uma iniciativa inédita e paralela ao SIL, que arrancou esta 4ª feira em Lisboa. A conferência, dedicada ao investimento em Portugal, contou com o input de vários especialistas na matéria, que acreditam que «é tempo de nos focarmos no mercado nacional», como defende Rui Meneses Ferreira, da Kronos, para quem é importante «acertar o rendimento dos portugueses com a capacidade de produzir casas a preços competitivos». De acordo com a Century 21, a diferença entre os preços de oferta e aquilo que as famílias portuguesas se mostram dispostas a pagar pode mesmo chegar aos 166.000 euros no caso de Lisboa.

Fernando Vasco Costa, da promotora Nexity, foi um dos convidados da mesa redonda, e explicou que a gama média é precisamente o público alvo daquele que é o maior promotor imobiliário francês: «vemos que a capacidade da classe média é até superior às nossas expetativas em algumas zonas do país. Mas com a falta de oferta, tudo o que entra agora no mercado é rapidamente absorvido, muitas vezes por investidores e não pela própria classe média». E sugere mais e novas parcerias com as autarquias em Portugal para o desenvolvimento de novos projetos, já que este «é o nosso grande negócio em França».

Para este responsável, entre os principais desafios neste negócio, estão «a falta de construtores e promotores», além do aumento dos custos de construção. Rui Meneses concorda, afirmando que «temos desafios nos custos de construção e na quantidade de promotoras, e há muita coisa a fazer do ponto de vista do produto». Já o financiamento não parece ser um entrave: «há claramente dinheiro para emprestar, e os bancos têm necessidade disso». Seja como for, os responsáveis acreditam que «o mercado vai estabilizar» e que «o aumento da oferta para o segmento médio vai conduzir a uma baixa de preços até abaixo desse segmento».

 

Mercado espera «mais uns bons anos pela frente»

Pedro Seabra, da Explorer Investmetns, sublinha que este é um «momento muito bom. Estamos a trazer muito investimento para Portugal para bons produtos que serão investimentos de sucesso», e que os investidores veem em portugal uma boa oportunidade de investimento. 

Lembrando que o mercado tem ciclos e que «morreu» em 2009, nota que «hoje estamos aqui com uma alegria bestial. Não vejo nenhuma razão para que não tenhamos mais uns bons anos pela frente». Aliás, a Explorer Investments está «a fechar vários investimetnos com grandes investidores institucionais que acreditam que Portugal é um mercado ativo, seguro, e que vai continuar a atrair esse tipo de investidores».

A criação de um regime de REITs, já prometida pelo Governo até ao final do ano, poderia dar um novo boost a este mercado e à procura de segmento médio. «Até agora, nunca tivemos um veículo que permitisse investir em imobiliário com segurança, em Espanha as socimis foram revolucionárias, e podem trazer para Portugal muito rendimento», completa. Este tipo de veículo «pode ser interessante para explorar a falta de produto para o arrendamento», considera Fernando Vasco Costa. Por outro lado, «é importante dar acesso aos pequenos investidores», segundo Rio Meneses Ferreira.

Fazendo uma análise macro dos números do mercado, Ricardo Guimarães, da Ci, destacou que o mercado ainda está em crescimento e que «quando esperamos uma inversão, um suporte do investimento pelo lado saudável da rentabilidade acaba por acontecer, não por alavancagem de crédito como aconteceu no ciclo imobiliário anterior».

Certo é que o mercado não pode continuar a crescer ao ritmo que tem crescido, mas parece ter chegado a um novo patamar: «nunca voltaremos a ter preços como tivemos, o imobiliário será sempre mais caro, a racionalidade, os custos de construção, são diferentes. Temos também de ter em conta a fiscalidade no imobiliário», aponta Rui Meneses Ferreira, que prevê que «nos próximos 5 anos teremos mais oportunidades para os portugueses comprarem casas».