Investimento pode superar os €2.000M este ano, diz CBRE

Ana Tavares |
Investimento pode superar os €2.000M este ano, diz CBRE

Até junho, foram captados cerca de 1.000 milhões de euros em investimento em imobiliário comercial, valor em linha com o período homólogo do ano passado, num total de 22 transações.

Neste montante pesa a venda da Blackstone da empresa Logicor à China Investment Corporation, transação que incluiu 16 propriedades em Portugal. A venda do Forum Viseu, do Forum Coimbra, ou do Vila do Conde Nassica Outlet também são de destacar neste período, bem como a venda de um grande portfólio da Tranquilidade.

A consultora revê as suas expetativas em alta depois de «uma dinâmica muito positiva no setor imobiliário português no primeiro semestre de 2017», e tendo em conta os ativos que já estão e ainda vão entrar no mercado: «Existe atualmente um volume significativo de ativos em negociação ou que deverão entrar em comercialização em breve, incluindo dois portefólios de centros comerciais e outros dois com diversos edifícios de escritórios, assim como muitos outros ativos avulsos de escritórios, logística, supermercados, hotéis e centros comerciais», explica a consultora em comunicado. Assim, prevê que 2017 feche com um resultado idêntico ao ano recorde de 2015, «com a probabilidade de atingir ainda um novo recorde histórico próximo de 3.000 milhões de euros».

Neste contexto, evidencia-se uma compressão das taxas de rentabilidade no 1º semestre. As yields desceram 20 pontos base nos escritórios no CBD1 para 4,8%, enquanto que os centros comerciais prime mantiveram a taxa nos 5%. No comércio de rua de Lisboa a quebra foi de 25 pontos base para 4,75%. Já a logística mantém uma taxa de 6,5%.

Segundo a consultora, no 1º semestre o investimento português representou apenas 10% do volume total investido, embora tenha pesado 41% no número de transações.

Nota ainda para a promoção, que continua a refletir-se na transação de diversos edifícios para reabilitação principalmente em Lisboa e no Porto, destinados essencialmente ao mercado residencial e turístico. No 1º semestre registaram-se as primeiras transações deste ciclo imobiliário de terrenos de grande dimensão para projetos de raiz, nomeadamente a aquisição do Lote 1.10 no Parque das Nações, com 40.000m² de área bruta de construção para desenvolvimento de uma unidade hoteleira e de um edifício de escritórios ou de outro terreno de igual dimensão para uso residencial em Campolide.

No Porto, a MEFIC Capital e a Round Hill Capital adquiriram um terreno com potencial construtivo de 78.000m² para uso misto de habitação, alojamento de estudantes, hotel, escritórios e espaços comerciais. E a CBRE espera outros investimentos em terrenos de grande dimensão até ao final do ano.

Cristina Arouca, Diretora de Research da CBRE, afirma que «os números globais do setor imobiliário português no primeiro semestre são francamente positivos, apresentando uma evolução para a qual contribuiu um cenário de confiança proveniente da trajetória de recuperação económica do país».

A nível de investimento, a escassez de espaços de escritórios de qualidade «permanecerá um problema nos próximos anos», principalmente tendo em conta o tempo necessário para uma construção nova deste tipo. Apenas 10.800m² vão chegar ao mercado este ano, e outros 11.000m² estarão disponíveis no próximo ano, na Torre de Lisboa (Fontes Pereira de Melo 41) e no Espaço 7 Rios.

No retalho, as novas aberturas também têm sido poucas, e no 1º semestre não abriu nenhuma nova unidade, mas espera-se a inauguração do Mar Shopping Algarve, do Designer Outlet Algarve e do Évora Shopping até ao final do ano, num total de 94.100m².