“Investimento institucional na hotelaria está a começar em Portugal”

Ana Tavares |
“Investimento institucional na hotelaria está a começar em Portugal”

 

Na apresentação do seu novo relatório “Portugal Hotelaria – Novembro 2017”, divulgado esta semana, a consultora avançou que estarão em curso operações no valor de 300 milhões de euros, sendo que cerca de 110 milhões ainda poderão ser concluídos até ao final deste ano, dizendo respeito a fundos institucionais. Seja como for, «2018 vai continuar a ser um ano bom para investimento em hotelaria em Portugal», garante Gonçalo Garcia, da área de Hotelaria da C&W.

Este bom momento para o investimento é suportado por um mercado que «tem boa procura, é hoje um destino consolidado» com todos os indicadores da operação a crescer, nota Marta Esteves Costa, da área de Research e Consultoria da consultora. «A diversificação do destino é a palavra chave», Portugal recebe mais turistas de diferentes mercados que procuram diferentes tipos de produto no nosso país, e isto também joga a favor por diminuir a exposição a geografias específicas. E Portugal já não é apenas um destino de sol e mar ou de city breaks, vai crescendo o turismo de natureza, surf, ou de cultura.

A provar esta confiança, está o anúncio da abertura de, pelo menos 120 projetos turísticos nos próximos 3 a 5 anos em todo o país, excluindo projetos de alojamento local, com as unidades de 4 e 5 estrelas a dominar a nova oferta.

Gonçalo Garcia acredita que «estamos a vender melhor Portugal» e explica que o investimento em hotelaria no nosso país «tem sido um mercado adormecido e até pouco líquido, e agora começa a ser atrativo para os fundos institucionais, e tem potencial de crescimento, haja estruturas e modelos de operação que o permitam». Modelos estes que «cruzem risco e benefício», desde o investidor mais tradicional ao mais oportunístico.

Por um lado, os investidores ditos core procuram operações com períodos de renda mais longos e um retorno garantido, e outros procuram por exemplo hotéis mais «maduros», nos quais possam entrar novos operadores. De maior ou menor risco, há diferentes modelos hoteleiros, seja de sale & leaseback ou de compra e gestão própria, e as oportunidades estão aí. A criação de destino turístico, nomeadamente em zonas da cidade que ainda não são especialmente conhecidas, vai ajudar na implantação de novos projetos hoteleiros.

Nos próximos tempos, a C&W identifica como principais tendências a «clara melhoria do produto oferecido», maior aposta na qualificação da mão-de-obra das unidades, maior flexibilidade entre os operadores, maior profissionalização da gestão, e uma maior concentração das operações, num mercado ainda muito pulverizado. «A participação dos investidores internacionais vai aumentar» com a separação da propriedade da operação.