Investimento em infra-estruturas precisa de mais transparência

Ana Tavares |
Investimento em infra-estruturas precisa de mais transparência

 

Esta é uma das reformas sugeridas no relatório “Angola’s Infrastructure Ambitions Through Booms and Busts – Policy, Governance and Reform” para corrigir falhas como a fraca supervisão do investimento público, excesso de ambição e orçamentos irrealistas, além de erros no planeamento ao nível da viabilidade ou dos riscos de corrupção no sector angolano, onde o Governo gastou mais de 87,5 mil milhões de dólares nos últimos 15 anos.

Søren Kirk Jensen, autor do relatório, escreve que «os projectos privilegiaram em excesso o transporte em detrimento de outras áreas de infraestruturas. Além disso, o financiamento pró-cíclico resultou na acumulação de dívida pública e acentuou uma vulnerabilidade estrutural à flutuação do preço do petróleo», cita o Observador.

A análise das obras feitas no período entre 2003 e 2016 conclui que a relação custo-benefício relativamente a este investimento, nomeadamente tendo em conta as obras nas redes de electricidade e estradas, é reduzida. A electricidade continua sem chegar a mais de metade da população e tem talhas frequentes. A rede viária foi reparada ou ampliada «a um ritmo inconsistente». Numa estimativa aproximada, mas mesmo assim conservadora, o especialista em assuntos africanos estima que cada quilómetro de estrada construído ou reabilitado terá custado, no pico do investimento, entre 2006 e 2008, perto de 682.762 dólares.