Investidores apostam “em todo o ciclo do produto e em todos os setores”

Ana Tavares |
Investidores apostam “em todo o ciclo do produto e em todos os setores”

 

O diretor geral da CBRE Portugal falava durante a apresentação do “The Property Handbook”, um manual prático que disponibiliza toda a informação necessária sobre o setor imobiliário português, expondo as questões legais e fiscais associadas à atividade de investimento. Esta 3ª edição é elaborada em parceria com a sociedade de advogados Vieira de Almeida.

O guia foi lançado pela primeira vez em 2012, «numa altura em que tínhamos poucos investidores. Agora, temos como nunca tivemos. No MIPIM entregamos este guia todos os dias». O responsável tem confiança de que «não devemos descer abruptamente do patamar atual», já que «não temos sinais nenhuns de que este mercado vá abrandar».

Retalho, residências, escritórios ou hotelaria, e outros, todos os setores atraem interessados atualmente, movidos pela grande liquidez do mercado global, «que distingue muito os momentos do mercado. O imobiliário passou a ter um peso muito mais importante, e está agora presente para um leque de investidores muito mais alargado», nota Cristina Arouca, diretora de Research da CBRE.

Se as vendas em planta voltaram, com vários edifícios «construídos de raiz para os arrendatários», segundo Miguel Marques dos Santos, sócio da área de Imobiliário da VdA, certo é que a procura é diferente dos tempos pré-crise. Francisco Horta e Costa nota que «a procura é muito mais saudável que no pico de mercado até 2007. É um mercado com base em capital próprio, com rácios de financiamento mais baixos». E dá o exemplo de uma operação de 42.000 m² em Lisboa, na qual a consultora esteve recentemente envolvida, terreno que «vai ser tomado por um único utilizador, que quer, além da componente de escritórios, ter residencial junto aos mesmos».

Este ano, a estimativa é que o investimento comercial atinja os 2.600 milhões de euros, um novo recorde.

 

Clarificação fiscal é essencial

Para Miguel Marques dos Santos, a transparência e simplicidade da legislação é fundamental para os investidores, e uma das questões de futuro que este guia aponta é a necessidade de «rever e simplificar o regime de devolução do IVA no imobiliário».

«A ideia é apenas simplificar e não reduzir o imposto», pois «há poucas coisas tão definitivas como uma quebra de 20%» num negócio, aponta Miguel Marques dos Santos. Francisco Horta e Costa completa que «o IVA não é um problema em Espanha, onde as regras são mais claras e objetivas».

Por outro lado, os responsáveis destacam a necessidade de aprovar um regime de REITs em Portugal, que os investidores «anseiam». Acreditam que o Governo pondera a questão e «tem consciência da sua importância para a retoma do país», mas que poderá não ser uma prioridade, e daí que ainda não tenha sido aprovado. Mas estão convictos de que «todos ganham. Vai implicar um aumento da receita fiscal, e dá espaço aos pequenos aforradores, tem provas dadas de sucesso noutros mercados».

Evitar possíveis alterações ao NRAU ou ao RJOPA são outras das questões apontadas enquanto temas importantes para o investimento.