Imobiliário quer «estender o bom ciclo de mercado o mais possível»

Ana Tavares |
Imobiliário quer «estender o bom ciclo de mercado o mais possível»

A lembrança foi feita pelo secretário geral da APPII, Hugo Santos Ferreira, que falava durante um debate promovido pela Quintela & Penalva por ocasião do seu 13º aniversário, no hotel Ritz. O presente e o futuro do mercado imobiliário em Portugal estiveram em cima da mesa, e num bom momento do setor, coloca-se principalmente a questão da sua sustentabilidade. Para este responsável, «não há bolha nenhuma, mas sim alguma euforia em 10 ou 20 ruas, no máximo», referindo-se a Lisboa e Porto. «A atividade tem sido sustentada, mas há problemas aos quais temos de dar atenção», referiu. «O maior desafio que temos agora é estender o bom ciclo o mais possível, porque sabemos que eventualmente vai para baixo».

Os segmentos mais altos são os mais dinâmicos, de uma forma geral, principalmente se falarmos em habitação. Mas como «é importante vivermos num mercado saudável, com preços saudáveis e em equilíbrio», Hugo Santos Ferreira acredita que «temos de apostar também no mercado interno. Hoje estão cá os estrangeiros, mas amanhã poderão não estar, e estaremos nós. Não podemos querer ganhar tudo de uma vez, mas sim a pouco e pouco». Alargar o investimento para outras áreas das cidades é também importante.

Carlos Penalva, partner e co-fundador da Q&P, concorda também com a importância da aposta no mercado interno. Mesmo porque «neste momento, 59% dos nossos clientes são portugueses», muitos deles optam por investir no imobiliário por ser melhor alternativa à banca. «Isto mostra a importância que devemos dar a esses clientes».

E num contexto em que há muitos estrangeiros que compram casa em Portugal atraídos pelos benefícios fiscais, como os suecos, muitos ativos são vendidos a preços bem acima da média, que não são considerados caros para estes compradores, com picos até aos 12.000 euros/m², como é o caso do Estoril. Carlos Penalva deixa a questão do que poderá acontecer quando passar o período de benefício fiscal concedido, (10 anos) quando os ativos tiverem de voltar ao mercado: «quem vai assumir essas perdas?», e avisa que «o mercado de compra e venda pode congelar daqui a uns 10 anos, porque estes valores estão muito elevados. Ou se assumem perdas na venda ou no rendimento, é a grande ameaça que temos». Apesar disso, considera que «ainda estamos num mercado de total crescimento».

Francisco Quintela, também partner e co-fundador da Q&P, acredita que estes picos de mercado «dificilmente irão ainda mais longe», pois os interessados começam a olhar para outras zonas das cidades, à medida que a oferta diminui e os preços aumentam, dando o exemplo da zona do Intendente, em Lisboa, onde a Q&P está a «analisar projetos na ordem dos 6.000 euros/m²».

Acredita que a preocupação com um futuro de maior procura do mercado interno é essencial, pois atualmente «todos os promotores estão a fazer habitação para short term rental», e «não é ao português que vamos entregar T0 e T1, é preciso pensar em algumas medidas executivas para pensarmos mais longe. Até quando é que vamos conseguir sustentar este tipo de situações?», questiona.

O que é certo, é que é impossível prever ao certo o fim do bom ciclo. Até porque «o motor da economia portuguesa chama-se choque externo», acredita o professor de Economia e Finanças do ISEG João Duque, e isso «não está nas nossas mãos. Como vem, pode ir embora». Por isso, acredita que manter o interesse no país é essencial para prolongar os bons resultados. «A diversificação é importante para a sobrevivência das empresas, como incluir novos serviços, apostar na relação com o cliente, este tipo de postura aumenta a capacidade de resiliência», e o mesmo se aplica ao imobiliário.

Quintela e Penalva quer crescer para o Porto

Num ano que está a «correr excecionalmente bem», a Quintela & Penalva planeia abertura no Porto.

Com uma loja no Estoril e outra em Lisboa, «agora pretendemos abrir no Porto, por exigência dos nossos clientes. Estamos a constituir equipa e estamos à procura de um espaço específico», sendo que a ideia é expandir «onde o mercado nos pedir e onde consigamos criar valor acrescentado. Este é o nosso posicionamento».

Para a empresa, os seus 13 anos de atividade «têm sido um desafio, uma aventura, e para nós tem sido altamente compensador», considera Carlos Penalva. A empresa 100% portuguesa foi criando novos departamentos e uma estrutura mais profissionalizada, bem como novos serviços, como concierge, e pós-venda. Acredita que a diferenciação e a adaptabilidade fazem a diferença na hora de vingar no setor em momentos mais difíceis.