Imobiliário comercial atrai €359M no 1º trimestre

Ana Tavares |
Imobiliário comercial atrai €359M no 1º trimestre

O mais recente Portugal Market Pulse, agora divulgado pela JLL, mostra que o capital estrangeiro continua a dominar o mercado, com os portugueses a representar apenas 8% do total aplicado.

Fernando Ferreira, Head of Capital Markets da JLL, comenta em comunicado de imprensa que «o ano começou muito dinâmico e, apesar de se terem fechado algumas operações que se encontravam em pipeline em 2016, muitas outras ainda estão por concluir: Se a maioria dos negócios que estão em curso forem efetivamente concluídos, antevemos o melhor ano de sempre, com a possibilidade de se transacionarem mais de 2 mil milhões de euros», prevê o responsável.

Até março, retalho e escritórios pesaram 61% e 26% do capital investido, sendo assim os segmentos mais ativos do mercado. A maior operação do trimestre foi a venda do Vila do Conde Outlet por 130 milhões de euros, seguida pela venda do edifício Entreposto, por 65,5 milhões de euros.  Mas a hotelaria também se destacou, por exemplo com a operação do Lux Park Hotel.

Yields em baixa

O período ficou marcado por uma baixa das yields, em todos os setores e zonas de mercado, à exceção do setor de industrial e logística, que se manteve inalterado. Segundo a JLL, as yields mais baixas são encontradas no comercio de rua de Lisboa, de 4,75%, seguidas dos escritórios no Prime CBD e dos centros comerciais, ambos com 5%. As yields variam entre os 5,75% e os 6,00% nas restantes zonas da cidade, excetuando na zona 6 (Corredor Oeste), onde atingem os 7,5%. Nos retail parks e nos imóveis de industrial e logística, a yield prime é de 6,75%.

Fernando Ferreira considera que «estes níveis são, na sua maior parte, mínimos históricos em Portugal, mas ainda assim continuam a ser superiores à maioria dos mercados europeus, o que torna o nosso país um mercado muito atrativo e muito procurado».

Neste contexto, acredita que «um dos grandes desafios no futuro será a dimensão do nosso mercado, o que exigirá estratégias mais agressivas dos investidores para conseguirem concretizar os seus negócios, abrindo o espectro de oportunidades de investimento que estão disponíveis para analisar».

Ocupantes asseguram performance sólida

A JLL salienta ainda no seu relatório que os setores ocupacionais sustentam o bom momento do investimento. Só a ocupação de escritórios cresceu 34% no 1º trimestre do ano, para os 43.641m², mais de 60% acima da média trimestral dos últimos 5 anos, fixada nos 27.000m² tomados.

Do lado do retalho, a oferta em pipeline de novas aberturas é reduzida, mas os centros comerciais prime continuam «a exibir uma performance muito positiva, com níveis elevados de footfall, ocupação e pressão sobre as rendas», que atingiram os 120 euros/m²/mês, mais 20% que no período homólogo. Na rua, especialmente em Lisboa e no Porto, as rendas cresceram 8% no Chiado, para os 130 euros/m²/mês, e 20% na Rua de Santa Catarina, para os 60 euros/m²/mês.