FM e Corporate Real Estate devem ser complementares

Ana Tavares |
FM e Corporate Real Estate devem ser complementares

 

Esta foi uma das principais conclusões do painel “FM e o Real Estate: Duas faces da mesma moeda?”, que decorreu nas Jornadas de Facility Management esta semana, em Lisboa. FM e CRE foram introduzidos por Luís Orvalho, da JLL, que acredita que as duas áreas devem ter uma relação muito próxima. E num futuro cada vez mais voltados para a user experience, neste caso a experiência do trabalhador, «o CRE e o FM devem continuar a potenciar» este ponto.

Este especialista explica que «é esperado que os quadros decisores deem cada vez mais importância ao melhoramento da workplace experience, que gera ganhos de produtividade, dvendas e criatividade», tendo em conta questões como o conforto térmico, acústico, visual, o layout ou a decoração, entre outros aspetos. «Deve haver um cross-training entre estas duas áreas, para que possam falar a mesma linguagem. Uma e outra são igualmente importantes, e devem trabalhar cada vez mais em conjunto. O FM pode ser envolvido no iníciode um arrendamento ou aquisição, dando os inputs em termos de energy management, manutenção, da mesma forma que o CRE pode ajudar com as decisões estratégicas, por exemplo», explicou.

Isso já acontece, por exemplo, na Nokia, segundo o testemunho de Maria Rosa Giraldez, que participou no debate desta sessão. «Na Nokia não temos quaisquer diferenças entre estas duas áreas, é uma só. Trabalhamos todos em conjunto, e deve-se trabalhar de forma integrada, apesar de cada um ter a sua área de foco». Para Luís Rosa, do Deutsche Bank, «são claramente duas faces da mesma moeda, e até as vemos no mesmo plano, e é assim que devemos continuar».

 

Workplace vai ser «estratégico»

Objetivos como a rentabilidade, o controlo de custos ou o crescimento da empresa estão, naturalmente, inerentes às organizações, mas a preocupação com o ambiente e conforto do trabalho (workplace experience) é a grande questão do futuro dos escritórios e do mercado corporativo, pois é o que vai acrescentar valor.

Mariana Coimbra, da TDGI, acredita que esta questão «começa a ser premente. O foco passa a estar na utilização dos edifícios e na criação de valor para as próprias empresas. O workplace é estratégico, é a partir daí que se cria a cultura da empresa, se atrai e retém talento». Por isso mesmo, FM e CRE «têm de trabalhar em conjunto, e o FM tem de entrar no início dos projetos, para que se tenham em conta os custos que vão existir. Há uma grande complementaridade entre as duas áreas».

Bento Aires, da Macair, acredita que o FM começa a ter maior notoriedade porque «o foco é mesmo o utilizador final. É um trabalho holístico que pode fazer a diferença entre criar valor e fixar valor». Para si, outras questões fundamentais no futuro serão «a mobilidade e a integração dos edifícios na cidade, a maneira como se adaptam às exigências dos trabalhadores».

 

Outras questões como a criação de valor em todo o ciclo do ativo, o impacto da manutenção no “mundo 4.0” ou a tecnologia estiveram também na agenda da 11ª edição deste evento, organizado pela APFM, este ano no Forum Tecnológico de Lisboa. As Jornadas de FM decorreram a 15 e 16 de novembro.