F&B “vai aumentar significativamente” na oferta dos centros comerciais

Ana Tavares |
F&B “vai aumentar significativamente” na oferta dos centros comerciais

 

Trata-se de uma área que tem vindo a aumentar a sua importância nos centros comerciais, «levada a sério há apenas cerca de 3 anos», que começa a ter um papel decisivo principalmente em casos de remodelações ou em centros comerciais mais maduros, e deve mesmo ser considerada como âncora no futuro. Esta é uma das principais tendências sublinhadas no mais recente ULI Retail Report Presentation – Trading Up, apresentado em Lisboa na Sonae Sierra por Chris Igwe, Co-Chair do ULI Retail and Entertainment Product Council.

Segundo este especialista, a restauração é «um negócio que nunca vai acabar», tendo como fatores decisivos do sucesso «a qualidade e o nível de serviço», com especial destaque para a receção. «As renovações dos centros comerciais maduros têm de contemplar oferta de F&B renovada».

Os “food halls” são uma das novas tendências, que se alastram também a aeroportos ou estações de comboio, por exemplo, infraestruturas que «começam a tomar atenção ao F&B e a aplicar mudanças significativas». O conceito surge através de mercados, áreas de cozinha, “food blocks”, etc, onde a decoração e o ambiente são muito importantes.

O Colombo, por exemplo, vai ter em breve um novo piso de restauração com um conceito distinto da área existente, um “Cooking Block”, como explicou João Pedro Santos, Manager e Conceptual Design & Architecture da Sonae Sierra. Pretende-se que a experiência seja completamente distinta.

Isto porque os espaços comerciais têm, regra geral, dois tipos de consumidores: os de fast food, e os que procuram lazer. O tempo de permanência e a oferta que procuram é significativamente diferente, e a chave está em escolher o mix ideal, segundo Chris Igwe.

Também as department stores ou os hipermercados começam a implementar conceitos de restauração, e mesmo algumas lojas começam a ter quiosques no seu interior. Nos centros outlet estão outras grandes oportunidades de crescimento deste setor, que não é tradicionalmente forte neste tipo de oferta.

 

Lazer e serviços complementam a nova oferta obrigatória

Novas áreas de lazer começam também a ser implementadas nos centros comerciais. Bowling ou pistas de patinagem são apenas alguns dos exemplos, que não têm receita de sucesso garantida para qualquer espaço, algo que «não é fácil», segundo este especialista, mas que se pode mostrar decisivo em alguns casos. O caminho é a tentativa e erro.

Os centros inquiridos pela ULI afirmaram esperar um crescimento de rendas na ordem dos 28% com a incorporação de elementos fora da área do retalho nos seus ativos, bem como um aumento de 7% no footfall. 58% responderam que o F&B aumenta a performance dos centros comerciais.

Clínicas ou áreas de coworking são alguns dos exemplos que «podem contribuir para reduzir a disponibilidade» dos centros. Apesar de ainda não se dirpor de informação suficiente para dar previsões mais precisas, uma coisa parece ser certa para Igwe: «a indústria não vai voltar atrás, e vai mudar muito mais depressa. Adaptar é sobreviver».