Escritórios e arrendamento habitacional na mira da Avenue

Susana Correia |
Escritórios e arrendamento habitacional na mira da Avenue

Atuando num mercado de ciclos de longa duração, e onde o produto demora por vezes anos a ficar concluído, para o braço português do fundo pan-europeu Perella Weinberg Real Estate Fund, não existem fórmulas paradas no tempo… “queremos adaptar sempre a nossa atividade aquela que será a procura. E esse é o nosso grande desafio: antecipar e saber qual será a tendência da procura nos anos seguintes”.

Foi por isso que em 2015, quando se estreou no mercado nacional – onde até recentemente assumia atuava sob o nome Nickel Real Estate – que a decisão foi a de apostar no mercado residencial de luxo nas zonas prime de Lisboa e Porto, pois “havia aí uma procura forte latente na altura”, conta Aniceto. O que não significa contudo que o futuro tenha de passar só por esse segmento, nota o presidente da Avenue. “Temos uma estratégia muito flexível, o que significa que no futuro não tenhamos de fazer apenas habitação de luxo e comércio de rua prime. Podemos muito bem vir a fazer produto residencial para o segmento médio, por exemplo”, afirma.

Profundo conhecedor do mercado português, onde no passado assumiu as rédeas da promotora francesa Bouygues Imobiliária e da Espírito Santo Properties, Aniceto Viegas reconhece agora outra oportunidade latente, desta feita no mercado de escritórios de Lisboa. “Ainda não estamos a trabalhar em nenhum projeto, mas é sem dúvida uma área que nos interessa e para a qual estamos a olhar com atenção”, diz, acrescentando que “muito provavelmente, dentro de algum tempo entraremos na promoção de escritórios, pois é um segmento que carece de investimento”.

Acreditamos que a prazo, o nosso futuro deverá passar por esta área mas também pelo desenvolvimento de habitação para rendimento” em Lisboa, continuou o presidente da Avenue, para quem “este é um mercado que ainda está pouco desenvolvido, mas que tem um espaço interessante para crescer”. Enquanto isso não acontece, “o que vemos para o nosso futuro mais próximo é continuar a investir na habitação de luxo”.

200 milhões de euros para investir até 2020

Em cerca de dois anos, a Avenue já investiu cerca de 70% dos 100 milhões de euros previstos para o triénio 2015/16/17, tendo em desenvolvimento três projetos de habitação de luxo em Lisboa (Liberdade 203, Liberdade 40 e Orpheu XI Chiado) e um no Porto (Aliados 107), a que se somam já outros dois ainda fase de projeto (Liberdade 266 – no edifício da antiga sede do DN – e o The Cordon Chiado) e um último ativo que se encontra atualmente em fase de compra. Este plano de investimento deverá ficar concluído até ao final do ano, com a aquisição de mais dois a três ativos em Lisboa e no Porto. Entretanto, “estamos já a trabalhar na próxima fase do nosso plano de investimentos, no âmbito do qual temos um pouco mais de 100 milhões de euros para investir no triénio 2018/19/20”, conta Aniceto Viegas.

Não somos patrimonialistas. Apostamos numa estratégia de rotação de ativos, criando produto para vender a terceiros”, nota ainda o presidente da Avenue, esclarecendo que “trabalhamos com capitais próprios para os processos de aquisição dos terrenos e edifícios que vamos promover e reabilitar, recorrendo depois a dívida para o processo de construção propriamente dito”.  Um modelo de negócio que parece estar a resultar, com a empresa a estimar um volume de negócios anual de 70 milhões até 2022.

Saiba mais sobre a estratégia e os projetos da Avenue na revista Vida Imobiliária de Abril, que terá um dossier especial inteiramente dedicado ao momento atual que se vive no mercado residencial de luxo em Portugal.

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