«É crucial alterar o regime de REITS em Portugal ainda este ano»

Susana Correia |
«É crucial alterar o regime de REITS em Portugal ainda este ano»

Lamentando que na base deste impasse esteja «essencialmente uma questão política», o responsável da GESVALT lembra que «no fundo, é tudo só e apenas uma questão de impostos e de como tributá-los. Pois, tudo o que tem saído para a opinião pública é que as premissas de funcionamento e estruturação deste veículo financeiro já estão definidos, faltando apenas acertar a sua forma de tributação». Lamentando que enquanto tal não for acertado, «estamos diariamente a perder avultadas somas de capital estrangeiro que poderiam ser direcionadas para o nosso país», António Bras não tem dúvidas que «para 2018 é absolutamente mandatório que se façam as devidas alterações no regime legal, para que a indústria de REIT’s possa finalmente arrancar em Portugal», sob pena de «estamos a perder esta grande oportunidade».

 

Recém-chegada a Portugal, a GESVALT é uma das líderes de mercado em Espanha na área das avaliações e consultoria imobiliária, destacando-se na assessoria a socimis, vulgarmente designadas como os REIT’s espanhóis. Uma das áreas onde gostaria também de poder apostar forte em Portugal, ou não estivesse o interesse investidor pelo nosso país «mais forte do que nunca, com vários perfis ativos e em busca de oportunidades». Não só nos segmentos prime, mas também noutras classes mais alternativas e emergentes, caso do turismo, do co-working ou mesmo co-living.

Da mesma forma, também «o mercado de Non Performing Loans (NPL) em Portugal continua a exercer atratividade para os investidores. E, se tivermos a capacidade de inovar também neste campo, o que pode passar por exemplo, pela criação de carteiras mais segmentadas em termos geográficos ou por tipo de uso e agrupando ativos vindos de diferentes vendedores, o interesse dos investidores pelo nosso país iria aumentar ainda mais», acredita o managing-partner da GESVALT.

 

Expansão internacional começa em Portugal

Portugal foi o destino escolhido pela GESVALT para abrir o seu primeiro escritório fora de Espanha, iniciando a operação no último trimestre de 2017. «Viemos por duas razões muito simples. Por um lado, porque muitos dos clientes com que trabalhamos em Espanha estão a apostar no mercado português, acabando por nos impelir a acompanhá-los. E, obviamente que poder entrar num novo mercado já com uma carteira de clientes construída é algo que nos conferiu muita confiança. Por outro lado, a principal acionista da nossa empresa tem origens em Portugal e, a entrada no mercado nacional era um objetivo antigo que agora teve reunidas as condições para se concretizar», explica António Braz.

A oferta de serviços prestados ao setor imobiliário, estrutura-se «em torno de três grandes pilares: consultoria, corporate finance e avaliações». E é precisamente nestes dois últimos campos que a empresa acredita aportar «mais valor e diferenciação comparativamente à oferta disponível no mercado».

Para já, a aceitação em Portugal esta ser «bastante positiva», avança o managing partner da GESVALT. «Temos já vários clientes do setor financeiro, desde fundos de investimento, a banca, bem como vários investidores privados que nos dão um ótimo feedback. A qualidade do serviço agrada-lhes, não só do ponto de vista técnico mas também porque a nossa análise é-lhes apresentada de forma mais simples, objetiva e de fácil leitura do que é comum no mercado português, e sim em linha com aquela que é a nossa escola em Espanha».

 

Avaliar “ideias” é um dos trunfos na manga para o mercado nacional

António Braz diz ainda que «outra das mais valias que podemos aportar ao mercado português é uma abordagem completamente diferenciada em alguns setores chave com a avaliação de empresas e startups, que é algo que já fazemos há muitos anos em Espanha mas que ainda é muito raro no nosso setor».

Focada em crescer neste segmento, a GESVALT marcou presença no Web Summmit, numa ação que «teve repercussão direta na nossa atividade, tendo sido contactados para fazer a avaliação de empresas que lá estavam. Basicamente, as startups são uma ideia de negócio, mas precisam de investimento, e aquilo que fazemos é conferir um valor a essa ideia que possa ser tangível para um investidor. Essa assessoria é completamente deficitária no nosso mercado e nós temos feito algum trabalho nesse campo, pelo que estamos confiantes que é uma área em que vamos crescer também por cá.