CRIAÇÃO DE REGIME REIT’S É ESSENCIAL PARA O INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO

Ana Tavares |
CRIAÇÃO DE REGIME REIT’S É ESSENCIAL PARA O INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO

Este foi, aliás, tema do último debate do Portugal Real Estate Summit, que decorreu nos últimos dois dias no Estoril, reunindo investidores imobiliários de renome a nível global, que concordam que a criação deste regime seria benéfica para o panorama do setor.

Keynote speaker do jantar exclusivo do evento, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, mostrou concordar que «neste momento, é importante atrair e reter investimento», sublinhando a importância do fomento de novos investimentos e do desenvolvimento de formas alternativas de captação de investimento. O Governo pretende «atrair investidores com diferentes perfis» e «introduzir novas formas de investimento, desenvolvendo parcerias, fomentando o desenvolvimento de empresas de parceria, capazes de estimular o investimento», disse na ocasião, afirmando que o Governo está a trabalhar na criação de um regime de REIT’s.

David Brush, Chief Investment Officer da Merlin Properties, acredita que «já há muitos modelos de REIT’s, não é preciso inventar a roda». No caso da Merlin, «olhámos para o que já tinha sucesso e era bem feito, e construímos o nosso modelo a partir daí», testemunha. E, em Espanha, «o regime tem tido muito sucesso na atração de capital estrangeiro».

A socimi já está apostada em Portugal, com um investimento de 250 milhões de euros, onde quer crescer, mas o responsável aponta que «maior transparência fiscal e a criação de um regime REIT faria com que fosse muito mais fácil investir neste mercado». E recorda que, no prospeto inicial da oferta pública da Merlin, era previsto que Portugal representasse 20% da sua carteira, que hoje, a valores de mercado, vale mais de 10.000 milhões de euros, o que elevaria o investimento no nosso país para 2.000 milhões de euros.

Enquanto o regime não é criado, considera que Portugal pode «olhar para os vários modelos, e ver quais funcionam ou não, e porquê». E alerta que demasiadas restrições poderão não valer o esforço: «não temos problemas com as regulamentações, mas restrições de tipo de ativo ou de montantes de investimento podem ser um problema para os investidores».

Por outro lado, também a APFIPP concorda com a criação deste veículo. Manuel Puerta da Costa, Board Member da associação, lembra que «esta questão tem sido discutida nos últimos tempos. A ideia de mercados públicos no imobiliário e mais transparência devia ser defendida tanto pela direita como pela esquerda de qualquer partido». E completa que «também achamos importante que uma maior parte das poupanças destas empresas seja dedicada à economia real do país».

No mesmo debate sobre o tema também participou Tim Kesseler, Analyst Investor Outreach da EPRA, que defende «as boas práticas e o aumento da transparência no mercado», numa altura em que Portugal vive «tempos entusiasmantes» neste segmento. «A atividade de empresas como a Merlin mostram que este modelo tem funcionado». E, «se conseguirmos convencer os reguladores de que é um tipo de empresa que cria emprego, que serve um propósito público, podemos mostrar que é uma forma alternativa regulada, que simplesmente está cotada em bolsa».

 

2ª edição do Portugal Real Estate Summit recebe assistência de 330 pessoas

Considerada um sucesso pela organização do evento, a Iberian.Property, a segunda edição do Portugal Real Estate Summit recebeu no Hotel Palácio Estoril 330 participantes, cerca de metade dos quais investidores imobiliários internacionais, cuja presença atestou o crescente interesse que Lisboa e Portugal têm no mapa do investimento global.

A 19 e 20 de setembro, os participantes debruçaram-se sobre alguns dos principais temas da atualidade deste setor, como o financiamento, as oportunidades de investimento na região de Lisboa, o panorama macroeconómico do país, ou as especificidades de cada classe de ativos.

O Portugal Real Estate Summit reuniu um conjunto alargado de apoios da indústria imobiliária. Estão confirmados os patrocínios da Abreu Advogados, Aguirre Newman, CBRE, Cushman & Wakefield, Deloitte, JLL e da firma de advogados Morais Leitão Galvão Teles e Soares da Silva, de Vilamoura, além do Grupo SIL. No campo dos patrocínios institucionais, alinham a ACAI, APAF, APFIPP, APPII, ASPRIMA, EPRA, RICS, Thomson Reuters e ULI.