Casas ficaram 12,8% mais caras em dezembro

Ana Tavares |
Casas ficaram 12,8% mais caras em dezembro

 

Os números, aprovados a partir da informação sobre preços efetivos de transações captados no âmbito do SIR – Sistema de Informação Residencial, notam que o resultado obtido no final do ano foi fortemente influenciado pelo comportamento dos meses de junho e dezembro, durante os quais a subida mensal de preços atingiu os 2,4% e 1,6%, respetivamente, as maiores subidas do ano.

Segundo a Ci, os preços têm vindo a subir «de forma ininterrupta ao longo dos últimos 18 meses», sendo que a última série comparável de valorização aconteceu entre o final de 2002 e o início de 2005, num ciclo de 26 meses seguidos de crescimento dos preços de venda da habitação. Contudo, nesse período os preços tinham variações mais contidas, sempre abaixo dos 1,5%, numa subida acumulada de 2,1%.

Mas, desde julho de 2016, a subida acumulada é de 16,3%, o que mostra o processo de recuperação do mercado iniciado no 1º semestre de 2013, antes do qual os preços já tinham caído 21,7%.

Ricardo Guimarães, diretor da Ci, explica que «a variação homóloga de dezembro de 2017 não só é a maior do presente século, como é mesmo necessário recuar mais de 25 anos, mais concretamente a julho de 1992, para encontrar um registo equivalente. E por isso, chegando ao final de 2017, os preços estão 0,9% abaixo do pico máximo atingido no mercado, o que aconteceu há mais de dez anos atrás, em setembro de 2007».

E continua que «apesar desta recuperação acentuada, temos que saber ver os resultados à luz do que teria sido uma evolução natural dos preços, ou seja se o mercado tivesse prosseguido uma trajetória de valorização conforme a taxa de inflação (ou seja valorização real nula), não tendo sido atingido pela crise das dívidas soberanas. Nesse cenário, os preços estariam hoje num patamar cerca de 13,6% acima do observado efetivamente».

Desde março de 2002 que os preços da habitação estão a evoluir abaixo da taxa de inflação. Apesar da subida nominal dos preços, a sua evolução em termos reais (deduzido o efeito da inflação) foi quase sempre de descida desde então, à exceção dos períodos entre meados de 2005 e 2006 e meados de 2007 a meados de 2008. Só depois de outubro de 2013 se voltou a registar uma subida acima da inflação, abaixo do ponto em que estaria caso não tivesse existido a quebra de preços decorrente da crise.