C&W: "É o momento ideal” para atuar no Porto

Ana Tavares |
C&W: "É o momento ideal” para atuar no Porto

 

Quem o diz é Filipe Lopes, Head do escritório do Porto da C&W, em entrevista à VI, para quem «a decisão de abrir um escritório na cidade foi um passo natural para nos aproximarmos mais de muitos clientes que fidelizamos ao longo de 25 anos».

O mercado está efervescente, e «as oportunidades na reabilitação urbana na cidade foram outro atrativo fundamental para esta decisão, já que investidores e inquilinos com quem trabalhamos regularmente começaram a olhar para este mercado com redobrado interesse», explica. Trata-se de um mercado imobiliário «em profunda transformação, mas uma parte substancial do seu dinamismo decorreu da atuação de “players” com posturas especulativas, que compraram imóveis na perspetiva de realizarem mais-valias a curto prazo». Por isso, acredita que é o momento ideal para trabalhar na criação de «oportunidades, estruturando produtos para entidades que exploram os imóveis por longos prazos».

No Porto, a C&W tem uma equipa de 5 pessoas em permanência (85 em todo o país), focadas nas vertentes transacionais das áreas de retalho, escritórios, industrial e logística, terrenos, hotelaria ou reabilitação urbana. Os primeiros meses de atividade da equipa «estão a corresponder às nossas expectativas e objetivos. A nossa já longa atividade no Norte do país permitiu que tivéssemos uma ideia mais ou menos precisa da performance que poderíamos alcançar neste mercado».

As perspetivas deste escritório para 2018 são positivas. Desde o início da atividade, «concretizamos vários projetos com grande sucesso – em particular a venda de um terreno para promoção a um fundo de investimento internacional-, mas até realço mais os mandatos que obtivemos, e em todas as áreas em que atuamos, pois revelam a confiança dos investidores na Cushman & Wakefield. A titulo de exemplo, estamos mandatados para comercializar 2 edifícios de escritórios com 20.000m2 de ABL e diversas lojas na baixa do Porto». E completa: «estamos também à procura de espaços do Porto para cadeias de lojas, e estamos a comprar 200.000m2 para um cliente internacional. Temos, portanto, também excelentes perspetivas para 2018».

 

Reabilitação urbana, turismo e retalho em alta este ano

Se em 2017 a C&W apostou forte no setor de industrial e logística, contratando mais recentemente Tiago Galvão. Mas no final do ano passado reforçou também a equipa de retalho, escritórios e Capital Markets: «estamos, portanto, confiantes no dinamismo dos vários segmentos do mercado».

Este ano, deverá destacar-se a atividade da reabilitação urbana, que tem «um pipeline importante e vários grandes projetos deverão iniciar-se em 2018». O boom que começou no centro histórico deverá expandir-se para outras zonas da cidade: «Até agora, os investidores têm percecionado o retorno do investimento versus risco no centro como superior ao de outras zonas na cidade, mas, com o aumento dos preços na zona histórica, e continuando a pressão da procura, é expectável que a reabilitação, de facto, se espraie também por outras zonas, em particular as mais degradadas e próximas dos pontos de maior interesse turístico».

A hotelaria e o retalho vão continuar em alta, a tendência será até de «aumento da renda prime e compressão das yields». Já nos setores industrial & logística e de escritórios, «com a atual escassez de oferta, acreditamos que o foco em 2018 estará na promoção de novos empreendimentos».

Acreditando que «o dinamismo será global» e que o crescimento «vai continuar nos próximos anos», Filipe Lopes destaca o «investimento seguro» no retalho da zona prime da Invicta, ainda com potencial de valorização de renda, bem como a hotelaria, que «continuará em alta».

 

Porto tem «um pipeline muito interessante» de escritórios

O responsável considera que, atualmente, «o mercado de escritórios do Porto sofre as consequências de muitos anos praticamente sem investimento.  Há muitos espaços vagos, mas em grande parte não reúnem as condições exigidas pelos clientes».  

«No ano passado lançamos pela primeira vez os números referentes ao stock de escritórios, e repare-se que, dos 1.450.000m2 existentes, só 900.000 eram considerados pelos players que estavam no mercado. Felizmente, tudo indica que este cenário mudará muito em breve: o stock de espaços vagos reduziu-se substancialmente nos últimos anos e a crescente procura, até de multinacionais, fez com que os investidores ganhassem confiança, pelo que neste momento há um pipeline de promoção de escritórios muito interessante na cidade».

 

Family offices vão ser os principais protagonistas

Em 2018, Filipe Lopes considera que serão os family offices a protagonizar a maior parte dos negócios. Explica que «como presentemente não há excesso de produto atrativo para os grandes fundos de investimento, e apesar do seu interesse no Porto, quem acaba por ter mais protagonismo nos negócios são os family offices, até porque, tipicamente, conseguem ser mais competitivos do que os fundos nas aquisições, pois assumem riscos que muitas destas entidades não podem assumir. Diria que cerca 2/3 dos investidores com quem temos trabalhado são entidades estrangeiras», completa.

O prémio de risco do mercado do Porto é o principal atrativo para os investidores, especialmente comparando com outras cidades de risco comparável. «Num primeiro momento, com o crescimento do turismo, os investidores procuraram equipamentos hoteleiros, o consumo dos turistas aumentou as faturações das lojas e gerou capacidade de pagar rendas mais elevadas. Num segundo momento, o presente, quando o dinamismo do turismo e do comércio se transmitiu aos outros setores ativou-se o circulo virtuoso de crescimento que estamos a viver e que deu solidez ao mercado e segurança aos investidores, que já admitem promover novos empreendimentos e/ou intervir noutras zonas da cidade».

 

Legislação deve «manter as suas permissas essenciais»

Para Filipe Lopes, desafios ao investimento estrangeiro no Porto podem surgir «caso os investidores de curto prazo que vêm atuando no Porto estabeleçam preços de venda acima dos que o mercado pode acomodar a longo prazo, atrasando ou inviabilizando o investimento de carácter mais permanente, o que no limite pode quebrar o circulo virtuoso do crescimento em que estamos, já que os capitais migram para outras paragens».

Por outro lado, considera «fundamental que a legislação que funcionou bem nestes últimos anos - apoio à RU, quadros comunitários de apoio e legislação do Alojamento Local - mantenha as suas premissas essenciais, já que o cenário macroeconómico não é assim tão favorável e consistente que se possam dispensar os atuais apoios ao investimento».