2018 arranca com negócios em pipeline superiores a €2.500M

Ana Tavares |
2018 arranca com negócios em pipeline superiores a €2.500M

 

Este montante, que exclui negócios internos (dentro do mesmo grupo ou empresa) é 41% superior ao volume investido em 2016, segundo a C&W, num valor médio de 33 milhões de euros por negócio. O ano foi marcado pela transação de «cada vez mais portfólios», e pela participação de estruturas nacionais, captando capital estrangeiro. Já este, reduziu-se ligeiramente para os 75% do total, com o investimento português a atingir os 440 milhões de euros.

Foi o setor industrial, que «nunca tinha tido um peso tão elevado», que protagonizou o maior negócio do ano, a venda do portfólio da Logicor, num valor de 260 milhões de euros, seguido pela venda do Forum Coimbra e Forum Viseu, por 220 milhões de euros. Destaque ainda para a venda do Edifício Entreposto, por 65 milhões de euros, ou do Edifício Marquês de Pombal, por 60 milhões de euros.

Há que registar um contexto de yields em mínimos históricos, mas ainda assim «superiores ao verificado no resto da Europa», salienta Marta Esteves Costa, da área de Research e Consultoria da C&W. A consultora acredita que hajam ainda «ligeiríssimas compressões em 2018».

 

2018 vai manter crescimento

Os 2.500 milhões de euros que a C&W contabiliza no pipeline atual do mercado são «um valor conservador», segundo o diretor geral Eric van Leuven. Como explicou aos jornalistas, o ano será pautado por «muito interesse» por parte dos investidores, por «negócios cada vez maiores, mas lentos de concretizar».

Mais atividade se registaria se houvesse nova promoção de escritórios, um setor que continua a sentir fortes constrangimentos na oferta, que permanece pouca e desadequada. Isto porque a equação continua a ser mais rentável quando é possível optar pelo uso habitacional. Este ano, deverão entrar no mercado 40.000m² de escritórios, 50% dos quais já em situação de pré-arrendamento. Em 2019, esperam-se 30.000m². Eric van Leuven considera esta situação «preocupante», em última análise, mesmo para a economia nacional. 

A subida das taxas de juro poderá ser um travão nesta dinâmica, mas os efeitos só deverão ser sentidos em 2019. O efeito do quantitative easing, que «pode ter um impacto na disponibilidade de capital», também só será visível a partir da 2ª metade do ano.

Inovação vai continuar a ser palavra de ordem, nomeadamente nos produtos de investimento. Hotelaria, residências de estudantes, sénior ou espaços de coworking serão algumas das tendências a seguir.

 

C&W arranca 2018 «com muita dinâmica»

«Muitos negócios passam para 2018, e arrancamos o ano com muita dinâmica», diz Eric van Leuven, segundo o qual o escritório português da consultora continua a ser um dos mais rentáveis do grupo C&W na Europa, em termos relativos.

Os resultados da C&W foram «semelhantes ao ano passado», tendo a consultora participado em negócios de relevo como a colocação da J&J no Lagoas Park, na compra pela CIC da Logicor, na venda da antiga fábrica do Amial, no Porto, à Roundhill Capital Partners, ou na colocação de várias lojas de rua.

Sem avançar mais pormenores, a consultora avança que começa o ano com duas «grandes operações em curso que passaram para 2018», e que somam os 45.000m² no seu conjunto.