Investimento

Portugal regista das maiores reduções de NPL da Europa no último ano

Ana Tavares |
Portugal regista das maiores reduções de NPL da Europa no último ano

É o que mostra o estudo “Investing in NPL in Iberia”, agora publicado pela Prime Yield, segundo o qual foram concluídas operações no valor de 500 milhões de euros de Non Performing Loans no nosso país até junho.

O país registava no segundo trimestre deste ano um stock de NPL de 14.200 milhões de euros, uma redução de 7.020 milhões de euros, -33%, face a igual período do ano passado.

É um dos progressos mais assinaláveis no contexto da União Europeia em termos absolutos e relativos. Só Itália, Grécia e Dinamarca registam reduções do stock de crédito malparado acima de Portugal no último ano (2º trimestre), sendo Itália e Grécia dois dos países com o maior volume de NPL no sistema financeiro, com stocks de 108.400 e 61.300 milhões de euros.

Em termos relativos, o progresso de Portugal é só superado pela Dinamarca e Chipre. E também o rácio de NPL, que reflete o peso do crédito malparado no total do crédito concedido, desceu significativamente no período analisado, passando de 8,9% em junho de 2019 para 5,7% em junho de 2020.

Portugal passa assim do terceiro rácio mais elevado na Europa para o quinto, ainda assim longe da média europeia de 2,9%. Apesar dos progressos na redução do stock, Portugal, em 8º lugar, mantém-se entre os 10 países com maior volume de NPL do conjunto, concentrando 3% do stock agregado, que no 2º trimestre ascendia a 526.300 milhões de euros.

A Prime Yield prevê que a atividade de NPL seja bastante reduzida este ano. Além dos 500 milhões já concluídos, estão apenas outros 1,5 milhões de euros em pipeline. De recordar que nos últimos dois anos o volume anual de transações de malparado rondou os 7.000 a 8.000 milhões de euros.

«Naturalmente com a pandemia, as transações em pipeline acabam por ser adiadas, sendo difícil nesta altura antecipar um volume de atividade para 2020. O mercado tem condições económicas mais fracas para a recuperação do crédito, havendo muitas dificuldades em manter os planos de investimento, até devido às limitações que existem atualmente para a realização de due dilligence. Além disso, a Banca está neste momento a dar prioridade à injeção de liquidez na economia, estando menos pressionada para vendas urgentes de NPL, pelo que existe também dificuldade em estabelecer preços», comenta Nelson Rêgo, CEO da Prime Yield, que destaca, ainda assim, o «elevado interesse» neste tipo de ativos.

Pandemia abrandou as vendas

A Prime Yield destaca também um abrandamento da tendência de redução do stock, que registou uma contração de -2,1%, ou seja, menos 300 milhões de euros, face aos 14.500 milhões registados no primeiro trimestre do ano. O rácio recuou de 6,2% para os atuais 5,7%, tendência aliás semelhante à da UE, onde alguns países já registam algumas ligeiras subidas trimestrais do stock.

Nelson Rêgo, CEO da Prime Yield, comenta em comunicado que este fenómeno «é um reflexo direto da pandemia, que veio interromper o percurso geral de redução de NPL em toda a Europa, mudando dramaticamente as condições económicas e obrigando a Banca e os Governos a darem prioridade à injeção de liquidez nas economias».

O responsável está convicto de que «o verdadeiro impacto da pandemia no que se refere ao crédito malparado não é ainda visível, uma vez que existe um montante bastante significativo de crédito no sistema financeiro sujeito aos regimes de moratória. Uma vez terminado o período das moratórias, avizinhar-se-á um grande aumento do crédito malparado em toda a Europa e também em Portugal. Se ao atual stock, somarmos o efeito das moratórias, que em Portugal representam cerca de 44 mil milhões de euros, facilmente concluímos que a dimensão deste mercado vai crescer exponencialmente no próximo ano. De salientar que apenas agora se escoam os últimos portefólios de habitação proveniente da última crise».

Nelson Rêgo defende que «seria oportuno criar desde já mecanismos de flexibilidade para o estabelecimento de um verdadeiro mercado de arrendamento habitacional institucional que seja atrativo para os investidores, e que ajude, por um lado, as famílias a ter uma renda compatível com o seu rendimento, e, por outro, os bancos a escoar o stock de habitação hipotecada para veículos de investimento que sejam bem geridos e com a fiscalidade apropriada».