Existem atualmente 11 projetos operacionais de Branded Residences no nosso país. Mas a oferta vai mais que duplicar nos próximos anos: em carteira estão outros 14 empreendimentos, um aumento de 130%, bem superior ao nível de crescimento global de 60%. É o que aponta a Savills no recente estudo “Branded Residences Overview 2025”. Atualmente, existem 6 projetos no Algarve e 5 em Lisboa. Outros 6 estão em carteira na região algarvia, mais 5 em Lisboa, 2 em Borba e 1 na Comporta. A maior parte deles são projetos em resort, e terão marcas como JW Marriott, Anantara, Tivoli, Six Senses, Ramada, ou Double Tree by Hilton. Mas também há potencial de crescimento dos destinos urbanos. Uma Branded Residence é um ativo gerido e operado por uma marca internacional (hoteleira ou não), que não detém os imóveis. Os proprietários beneficiam de alto potencial de valorização, podem utilizar as residências para aumento de oferta, no caso de projetos turísticos. Para promotor imobiliário, os retornos são também interessantes, segundo a Savills. Uma Branded Residence também aumenta as taxas de vendas, já que as marcas são globalmente reconhecidas por um público mais alargado e mundial. A nível global, o brand premium ronda os 33%, 34% em resort, 27% numa cidade global, e 29% na Europa. A consultora estima que em 2030 existam cerca de 1.500 Branded Residences em operação em 100 países, operadas por mais de 200 marcas globais. Só no ano passado abriram 240 unidades, com grandes crescimentos nos Emirados Árabes Unidos e nos EUA. Ritz e Four Seasons lideram a lista dos grandes players mundiais. Portugal tem várias características ideais para atrair projetos de Branded Residences, a começar pelo bom clima, boa conectividade (especialmente importante para segundas residências) segurança, ou um lifestyle atrativo (golfe, praias, vinho, gastronomia), e continua a ser interessante, mesmo sem instrumentos como os Golven Visa. Os especialistas da Savills apontam que «o mercado não está ainda saturado, estão ainda a surgir novas localizações, como a Comporta ou Borba. As paisagens são um fator de atratividade, e garantem um destino único no mundo». Em Portugal, as Branded Residences têm uma menor percentagem de operação de marcas de luxo do que a nível global mas, segundo a Savills, isso só prova que «este setor não tem de ser apenas de ultra-luxo, pelo contrário». Paula Sequeira, Head of Consultancy & Valuation da Savills, destacou que «para além das localizações já estabelecidas em Portugal, como o Algarve e Lisboa, a região da Comporta tem-se vindo a posicionar como o próximo destino de referência para projetos residenciais de marca. A região está claramente preparada para um mercado bem consolidado, competindo com outros destinos de referência na bacia do Mediterrâneo. No entanto, identificamos outras regiões com potencial para este tipo de projeto, nomeadamente a cidade do Porto, um destino urbano cada vez mais reconhecido a nível global para negócios, turismo e novos residentes. Olhando para o futuro, as perspetivas para este mercado em Portugal permanecem muito otimistas, com uma taxa de crescimento extraordinária prevista para os próximos cinco anos, refletindo a confiança dos investidores e utilizadores». Louis Keighley, Head of Development Advisory, Savills Global Residential Development Consultancy, comentou ainda que «o que é promissor para Portugal é que, numa perspetiva urbana, Lisboa ocupa o segundo lugar na Europa em número de projetos, seguida de Londres sendo também o mercado de resorts mais ativo da região. A diversidade de promotores e marcas que entram no mercado sinaliza uma forte confiança, sublinhando um crescimento significativo e oportunidades interessantes para o setor branded nos diferentes mercados de Portugal». O caso do W Algarve Em Albufeira, já está em plena operação o W Algarve Residences, do grupo Marriott, com 134 quartos e 83 residências de luxo. As residências e os quartos partilham vários serviços, como ginásio, restauração e outras amenities. Os residentes e os hóspedes podem usufruir de planos de fidelização. De acordo com a Savills, o projeto foi 80% vendido em planta por cerca de 5.852 euros por metro quadrado, um valor que mais do que duplicava o valor médio por metro quadrado do mercado local na época, e que garantiu um premium de 30%. Em dois anos, os preços aumentaram 16%, e o preço por metro quadrado está agora praticamente nos 10.000 euros, permitindo uma revenda cerca de 70% acima do preço de compra em planta. Alguns clientes procuram uma segunda habitação (60%) e, adicionalmente, um investimento. Outros compram principalmente pelo investimento, e acabam por usufruir também. Valorizam, sobretudo, a segurança da gestão feita por uma marca global e com boa reputação, como o caso da Marriott. De um fenómeno de nicho para uma oportunidade de investimento relevante Pedro Fontainhas, Managing Director da APR, destacou durante a mesa redonda de debate que se seguiu a esta apresentação que «as Branded Residences estão a passar, rapidamente, de um fenómeno de nicho para uma oportunidade de investimento relevante», e lembra que Portugal reúne todas as condições e requisitos deste tipo de clientes, como a alta qualidade dos ativos, serviço e adaptabilidade às exigências. Prova deste potencial é que a Hilton quer duplicar a sua presença em Portugal. Carlos Miro, Managing Director Development, Spain & Portugal da Hilton, confirmou esta intenção, e referiu que «sentimo-nos muito seguros com a legislação em Portugal, e as Branded Residences são uma grande oportunidade. Temos atualmente um projeto em Cascais e dois no Algarve, e sentimo-nos muito seguros aqui. Clima, segurança e legislação são muito importantes». Acredita que «temos mais oportunidades que desafios» em Portugal. Benedita Machado, da Arrow Global, gestora de vários ativos em Vilamoura e nova dona do Tróia Resort, reconhece as diferenças deste produto imobiliário, e refere que «temos de escolher ativos que garantem o premium exigido, temos de elevar o produto e os serviços que entregamos. Porque o tipo de cliente que nos procura está habituado a um nível de serviço diferente, mais exigente, e as marcas ajudam-nos a elevar o “jogo”».