Investimento em imobiliário comercial cresce 41%

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Fotografia: Pexels

Segundo o estudo WOutlook Q1 2026” da JLL, Portugal atraiu 915 milhões de euros de investimento no setor imobiliário comercial no início de 2026, (valor 41% acima do período homólogo). A hotelaria e o retalho foram os setores com maior capital, ao arrecadarem 39% e 37% do volume total de investimento, respetivamente.

As maiores transações do ano foram as operações dos centros comerciais Arrábida e Gaia, adquiridos por 180 milhões de euros, e a venda do Penha Longa Resort à L Catterton & Cedar Capital Partners, por um valor entre 120 e 140 milhões de euros.

A consultora apontou também que as taxas de rendibilidade de referência do setor, as ‘yields prime’ registaram uma “ligeira compressão neste início do ano, de 15 a 25 pontos base, apenas nos segmentos de retalho, à luz do dinamismo do setor”. Nos outros setores, as 'yields prime' mantiveram-se estáveis em 5,00 % nos escritórios, 5,75 % no setor industrial e logístico e 5,50 % no setor hoteleiro.

Já as projeções do Banco de Portugal apontam que os choques energéticos decorrentes do conflito do Médio-Oriente têm efeito direto sobre a inflação, referindo a sua dissipação a curto prazo, levando a inflação a convergir para os 2,0% até 2028.  depois alcançar os 2,8% em 2026. A WORX assume também esta opinião, estimando que o impacto no investimento em imobiliário comercial será relativamente limitado ao ano de 2026.

Silvia Dragomir, Head of Research da WORX, afirma: “O forte início do ano, em Portugal, está em linha com o que tínhamos perspetivado para 2026. O dinamismo do mercado, sustentado também pelo efeito 'halo' ibérico, dá-nos confiança para atingir um volume de investimento em imobiliário comercial entre os 2.800 e os 3.000 milhões de euros até ao final do ano, segundo as nossas projeções em conjunto com o BNP Paribas Real Estate”.

Por sua vez, Pedro Rutkowski, CEO da WORX Real Estate Consultants, refere: “O mercado imobiliário português tem vindo a demonstrar a sua maturidade e resiliência, e este primeiro trimestre não é exceção. Os resultados obtidos atestam a consolidação de Portugal como um destino de referência para o investimento imobiliário, sustentado pela robustez dos fundamentais económicos, pelo crescente reconhecimento internacional e pela crescente sofisticação do produto nacional.” O responsável acrescenta ainda que: “No imediato os efeitos dos choques externos não se estão a refletir de forma direta no apetite dos investidores e nas yields, tipicamente adiados em Portugal face a outros mercados”.

A consultora aponta que, para o resto do ano, as atenções do mercado se vão centrar na evolução das taxas de juro, antecipando também uma estabilização das yields prime, (nomeadamente nos segmentos mais resilientes a choques externos, como o setor de escritórios).