Albufeira: Privilegiar mercado nacional é alavanca para o investimento

Ana Tavares |
Albufeira: Privilegiar mercado nacional é alavanca para o investimento

Quem o diz é o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, que participava no mais recente encontro Pequenos Almoços do Imobiliário, uma iniciativa organizada pelo Público Imobiliário e pela Vida Imobiliária, com o apoio da Confidencial Imobiliário e da Century 21, que decorreu esta semana em Albufeira.

No seu entender, a cidade «tem sido muito procurada a nível de investimento, nomeadamente por parte de grupos estrangeiros. Mas temos algumas dificuldades de mão-de-obra, falta de habitação para residentes. Privilegiar o mercado nacional é fundamental».

Na ocasião, Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, atestou «a forte recuperação dos preços que o mercado Algarvio tem vindo a registar. Teve uma desvalorização, tal como a nível nacional, e é hoje um mercado onde a recuperação foi mais visível. Colocam-se agora novos desafios como o acesso à habitação. Mas a verdade é que há um forte impulso de promoção. Identificamos 10.000 novos fogos em licenciamento».

De acordo com os números da Ci, «Albufeira é o segundo mercado mais valorizado da região. É um dos concelhos mais consolidados, e tem hoje o maior volume de novos projetos em lançamento. Tem também um grande potencial de reabilitação urbana». E, apesar do Brexit, «os ingleses continuam a procurar o Algarve para investir. Têm uma relação histórica com o Algarve e com a região de Albufeira».

Para a banca, a região continua a ser interessante. José Araújo, Real Estate Director do Millennium bcp, assume que «Albufeira é um mercado importante para nós, onde temos um conjunto de financiamentos à promoção que somam mais de 100 milhões de euros, e onde temos uma série de imóveis que têm de voltar ao mercado. É uma zona que vive muito da segunda habitação e de projetos turísticos, e onde o banco gostaria de estar presente para proporcionar outro tipo de projetos aos moradores locais e ao mercado nacional».

Num mercado com um dos asking prices «mais agressivos do país», a maior parte dos compradores continuam a ser estrangeiros, como os britânicos, «e começam a aparecer mais compradores do mercado escandinavo», explica José Araújo. Mas «temos privilegiado financiamento projetos turísticos válidos e projetos de construção para o mercado nacional, onde há carência de oferta neste momento».

 

Albufeira é o concelho com taxas de esforço mais elevadas

Ricardo Sousa, CEO da Century 21, assume que «o desafio no Algarve é enorme. O nosso objetivo é trazer mais informação, mais transparência, e um debate imobiliário mais informado. Queremos encontrar soluções sustentáveis para o mercado de habitação no Algarve».

No âmbito do seu estudo “Acessibilidade à habitação em Portugal”, a Century 21 identificou que, na zona do Algarve, o mercado nacional procura, enquanto casa ideal, um T3 até 120 m², preferencialmente moradias em zonas periféricas.

Em Albufeira em particular, a renda de uma casa com 90 m² tem um custo de 743 euros por mês. No caso da compra, a prestação mensal ronda os 522 euros. Estes são os valores mais elevados do mercado algarvio.

Tendo em conta que o rendimento mensal das famílias ronda os 1.092 euros, a taxa de esforço fica bem acima dos 30% recomendados: 68% no caso do arrendamento (o mesmo valor que em Lisboa), e 48% no caso da compra.