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Imobiliário retoma níveis pré-pandemia este ano

Ana Tavares |
Imobiliário retoma níveis pré-pandemia este ano

As transações de investimento imobiliário comercial em pipeline, com «montantes expressivos», que deverão ser fechadas já no primeiro semestre deste ano, deixam antever que «o mercado deverá recuperar totalmente para níveis pré-pandemia em 2022», prevê a consultora Savills.

No ano passado, o mercado imobiliário comercial português captou um volume de investimento total de 2.000 milhões de euros, menos 28% que em 2020 e menos 34% que em 2019. Os últimos 6 meses do ano fecharam com uma «nota muito positiva», e os negócios que estão próximos do fecho deixam boas perspetivas.

A Savills prevê, inclusive, que «o ano de 2022 deverá marcar o regresso do mercado imobiliário nacional aos níveis pré-pandemia, antevendo-se uma recuperação total das perdas sofridas durante os dois primeiros anos da pandemia. As estratégias de diversificação de carteiras de investimento deverão continuar a prevalecer, focadas agora em classes de ativos operacionais».

Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal salienta que «na 2.ª metade de 2021 já foi notória uma aceleração de atividade, quer no mercado de investimento, quer no mercado ocupacional, para níveis pré-pandemia. Esta aceleração deverá ser particularmente sentida nos primeiros 6 meses de 2022, com um forte arranque do ano impulsionado pela vontade de investidores e tenants em concluírem operações que se prolongaram devido aos constrangimentos do período pandémico».

Por isso, está convicta de que «será, sem dúvida, um ano entusiasmante e extremamente dinâmico, com o mercado a revelar novas tendências que vêm adicionar novos segmentos e modelos operacionais a um mercado que se manteve firme, resiliente e muito atrativo».

Este ano, os segmentos de residencial e logística vão continuar a atrair as atenções dos investidores, tendência sustentada por «fundamentais de mercado muito resilientes e em crescimento, com um nível de procura que excede claramente a oferta disponível».

Durante a pandemia, as unidades de distribuição alimentar ganharam relevo, e passaram a ser vistas como ativos altamente resilientes e seguros, uma tendência que se deverá manter este ano.

Na hotelaria/alojamento, prevê-se que o interesse dos investidores nesta área cresça este ano e se estabilize em 2023, «suportado por fortes fundamentais de mercado e pelo interesse de investidores core com estratégias de investimento a longo-prazo. As expectativas de transações de distressed assets continuam a desvanecer à medida que os KPIs de mercado recuperam o seu desempenho».

Nos escritórios, regressa agora a maior parte dos colaboradores aos seus espaços de trabalho. Trabalhar a partir de casa era o modelo dominante em 2020 e parte de 2021, mas «à medida que começamos a perceber que a fórmula de crescimento reside na flexibilidade dos espaços e dos colaboradores, os proprietários terão também de acompanhar esta mudança. O grande desafio para as empresas será manter os colaboradores motivados para regressar ao escritório. Trabalhar a partir de casa introduziu uma nova dinâmica no mercado e sublinhou a necessidade de investir em espaços que tragam algo novo e atraiam os colaboradores de volta aos seus espaços de trabalho», explica a Savills.

Espera-se também este ano a continuação do crescimento do setor da saúde e farmacêutico, «dado o contexto de pandemia global e uma forte tendência para o envelhecimento demográfico. O setor das TMTs continuará, igualmente, a ser um dos pilares mais fortes do mercado de escritórios de Lisboa e do Porto».

A Savills conclui ainda que «localização sustentabilidade e flexibilidade são os grandes fatores a ter em conta em 2022. Embora o primeiro tenha sido sempre o pilar essencial do setor imobiliário, a certificação construtiva dos edifícios é agora exigida pelas grandes multinacionais e empresas parceiras. Atualmente, os inquilinos dão prioridade a edifícios certificados, ou que, com algum investimento, sejam elegíveis para obter essas mesmas certificações. Em 2021, houve uma maior procura por edifícios certificados, mesmo que isso tenha implicado um maior esforço financeiro».